Trate as crianças como pessoas

Um garotinho de uns cinco ou oito anos chora no parque. É possível ouvir seus berros desde muito longe. Eis que a mãe se aproxima e diz qualquer coisa que não ouço, a voz uma chibatada. O menino dá um tapa na mãe. Desta vez eu ouço a resposta: “não é pra bater!”, ela grita logo antes de espalmar a mão na coxa do filho, que volta a chorar.

O que essa mãe ensinou ao filho sobre violência? Que não vale a pena tentar bater em quem é mais forte e que é um recurso válido para exercer controle sobre alguém menor que você.

Ela ensinou a ser violento.

Muitas das formas convencionais de tratar as crianças são impensáveis quando imagino a mesma cena com adultos.

Você chega na festa e alguém pega no seu braço, aponta um estranho e diz “vai, Pessoa, dá um beijo no titio”. Ou “vai lá conversar com aquele grupo de pessoas estranhas, vai, vai, não precisa de timidez”. Não, né? Então por que isso parece completamente tranquilo de se fazer com crianças?

“Ah, mas elas têm que aprender…”. Será que não existe um jeito não-violento de fazer isso? Eu acredito que sim. Dá mais trabalho? Com certeza, mas pelo menos estaremos criando desde já um mundo melhor, mais livre, conectado e respeitoso.

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Originally published at Tales Gubes.