Você tem medo de quê?

Todas as pessoas sentem medo. O medo é um sentimento muito útil, porque nos alerta contra aquilo que acreditamos que pode nos fazer mal. Um dos maiores medos é o do desconhecido, esse território misterioso sobre o qual não podemos fazer nada além de imaginar e nos jogar cegamente.

Quando percebo que estou carregando um sentimento que me incomoda, e isso funciona especialmente com o medo, mas também com tristeza e ciúme, utilizo uma pergunta para ganhar clareza: estou com medo de quê?

Enfrentar o desconhecido é impossível. Não tenho como me preparar para aquilo que não sei que forma terá.

Dar nome e forma ao que me apavora me ajuda a traçar planos.

Recentemente senti ciúmes do meu namorado. Pensei: estou com medo de quê? De ser traído. De ficar sozinho. De me sentir mal que ele esteja curtindo um momento com outra pessoa enquanto eu estou parado na vida. Que eu seja um fracasso na existência enquanto ele tem pessoas ao redor para diverti-lo. Que eu não seja capaz de celebrar a felicidade dele.

Uau.

Agora que sei disso, posso descobrir quais necessidades minhas estão por trás desses medos. A partir daí, posso parar de me preocupar com o desconhecido e começar a planejar caminhos para cuidar do que conheço: como me sinto, do que necessito, o que quero.

O medo sempre vai dar um jeito de voltar. O meu, pelo menos, nunca foi embora de forma permanente. Tudo bem, eu o acolho porque ele me diz que algo importante pra mim está precisando de atenção.

Meu medo é meu amigo.


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