Um texto inútil sobre fazer coisas inúteis e ser feliz

Eu estava no meio de uma aula a respeito da utilidade da arte quando ouvi a frase que me fez ter uma nova perspectiva:

“qual é a função da arte? Nenhuma, ela é inútil”.

Estou a mais de uma semana pensando sobre isso e percebi que mesmo indo contra toda a lógica contemporânea, talvez o grande segredo da vida não seja encontrar o seu proposito e sua finalidade no mundo.

“Tempo é dinheiro” é a lógica do mercado e mesmo sem querer eu cresci, formei meu caráter nesse sistema. Sempre vivi em função de produzir algo, quase nunca passo tempo atoa ou fazendo algo só por fazer, pois me sinto culpada de “gastar” meu tempo com coisas que não me trarão retorno. Dizem que é espirito empreendedor, mas talvez não seja.

O resultado até agora está mais para decepção, angústia, ansiedade e insegurança do que para alegria, satisfação e orgulho.

Ao empreender em algo você espera o retorno, mas ele nem sempre vem, as vezes quem vem te visitar é a decepção; o mesmo acontece com a angústia e insegurança, elas vêm acompanhadas da dúvida sobre a nossa capacidade; e a ansiedade vem para piorar a situação. É uma prisão.

Tenho visto esse aprisionamento acontecer repetidamente no meio criativo e também acadêmico, mas ao mesmo tempo, trabalhando com conteúdo para internet, vejo a mágica da originalidade acontecer com quem está comprometido apenas em se expressar.

É a arte pela arte.

Por que você faz aquilo que não precisa ser feito? Por que você persiste nisso?

O que você faz e que não precisa ser feito talvez seja inútil aos olhos dos outros, mas se isso te faz sair do lugar comum, da caixinha ou da zona de conforto; se é o que te faz sair da inércia; se é o que te faz encontrar tempo, recursos e força para fazer, isso faz parte da sua essência.

É o lugar da felicidade que permite se encontrar consigo mesmo.

Talvez a cereja do bolo da vida é fazer coisas inúteis, talvez a cereja do bolo seja inútil.