A importância do feminismo para a minha carreira

Feminismo… silêncio, climão, aquele constrangimento no almoço de família, né?!

Tudo bem, eu sei que essa palavra pode dar nos nervos de algumas pessoas, mas para começar bem, vamos só esclarecer o que, de fato, é isso.

Feminismo = igualdade para homens e mulheres. Fim.

Por que falar de feminismo no mercado de trabalho?

Bom, sendo mulher, ouso dizer que tenho conhecimento de causa, entendo a importância de se falar sobre o feminismo para empoderar mulheres e ajudá-las a crescer em suas carreiras.

Por isso, ao longo deste texto eu quero compartilhar com você um pouco da minha experiência, aprendizados e o que me ajudou. Darei dicas pontuais, mas, principalmente, espero que eu te ajude a pensar, a rever a forma como você encara o feminismo, expandindo sua visão para muito além de uma ideologia.

Vamos começar falando de cultura empresarial

Todo mundo que faz parte do meu círculo social sabe que trabalho na Rock Content, hoje, com mais de 300 funcionários e um lugar que me inspira diariamente a ser uma líder (e uma pessoa) melhor.

Parte desta motivação vem da cultura forte e sólida, que respeita e incentiva a diversidade dentro da empresa. Prova disso? Somos 31 líderes na empresa, sem contar os sócios, e, dentro desse número, temos 20 mulheres em cargos de liderança, entre supervisoras, gerentes e 2 diretoras mulheres (uma delas minha mentora, da qual falarei mais à frente, é também lésbica e faz parte da comunidade LGBT da Rock)

Na foto acima Edmar, nosso CEO, jantando com as mulheres líderes da Rock, uma oportunidade incrível que tivemos para expor nossos pontos de vista, contar pra ele como nos sentimos e como somos tratadas na Rock.

Esta cultura “feminista” (lembre-se da igualdade, o foco é este!) nos permitiu, ao longo da nossa existência e crescimento, lidar com situações diversas da melhor forma possível.

Temos, por exemplo, um discurso bem azeitado contra o assédio e o desrespeito para qualquer novo funcionário — lembrado sempre que possível em nossos encontros com a turma toda.

Isto é tão forte e tão incrível! Pensar que em um mundo onde a cultura do estupro é cada dia mais banalizada e o assédio é menosprezado e tratado como “mimimi” de feminista ainda existe espaço para falar sobre isso, não apenas afirmando que acontece, mas deixando claro que esse tipo de postura não é tolerado na empresa!

Estou contando isso para encher a bola da minha empresa? Não. Trouxe este exemplo para que todas as mulheres que estão lendo este artigo e por acaso estão pensando que é “normal” mulheres serem tratadas diferentemente de homens no mercado e, por isso, têm que aceitar que mais oportunidades e mais facilidade para homens são nada mais do que “o que tem pra hoje” mudem de ideia!

Ou seja: busque seus direitos! Procure por empresas que lhe deem o devido valor!

Tenha em mente que você lutou, se dedicou demais para chegar aonde você está, lute contra a cultura machista e patriarcal para que ela não diminua suas chances de mostrar para o mundo a profissional incrível que você é!

A Luiza Drubscky, minha amiga e colega de trabalho, fez um texto super legal sobre mulheres “startupeiras” cuja leitura recomendo muito também ;)

Com este texto, não tenho a ilusão da facilidade, nem sou uma sonhadora romântica para achar que é simples. Meu objetivo é apenas te encorajar.

Se você tem vontade de empreender, melhor ainda! Seja uma mulher que fortalece outras mulheres.

Se você já está em posição de influência, de liderança, seja uma mulher que olha e incentiva outras mulheres. Reveja a política de maternidade na sua empresa, por exemplo, fale em favor das mulheres, “entre em brigas” que você pode entrar e seja a voz das outras mulheres que ainda não podem falar.

Mentoria (e parceria) feminina

Antes de qualquer coisa, que fique claro que não estou dizendo que temos que nos rebelar e aceitar a liderança apenas de outras mulheres (tenho um chefe homem que me respeita e me valoriza como profissional, e sou grata por isso!). A questão é a disponibilidade para outras mulheres.

Eu, por exemplo, estou aqui para toda mulher que quiser ser ouvida, levantar algum ponto sobre a empresa, sobre a própria carreira, sobre algum líder…

Ser vista como uma mulher referência para que outras mulheres se inspirem, se encorajem, lutem e não tenham medo de serem interpretadas como “histéricas”, “de tpm” ou algo do tipo é poderosíssimo, e eu me orgulho demais de ter me tornado uma mentora para outras mulheres.

No começo da minha trajetória como líder, considero que 2 coisas foram essenciais para fazer dar certo:

A primeira, contar com o apoio de uma mentora (não era minha líder na empresa) e amiga mulher. A Rita foi uma pessoa super importante pra mim, pois ela estava há mais tempo enfrentando os desafios da liderança feminina, errando, acertando, aprendendo, e me deu várias dicas, insights, recomendações e conselhos valiosíssimos.

Desta forma, eu sempre tinha “pra onde correr” e me sentia segura para ser quem eu era, expor minhas dúvidas, ser vulnerável sem perder minha autoconfiança. Isso me ajudava a “descarregar” meu lado frágil em um espaço seguro, levando minha força e segurança para a “mesa de negociação dos caras”.

A segunda coisa foi a leitura do livro “Faça Acontecer”, da maravilhosa e inspiradora Sheryl Sandberg (sou fã ❤). Ela mostra, com clareza e transparência, os desafios que enfrentou como mulher, mãe, esposa, chefe, subordinada e como aprendeu a lidar com eles para crescer na carreira, transformando também a vida de outras mulheres na mesma situação.

Inclusive, para tudo e clica neste link do livro para comprá-lo, pois ele precisa ser a sua próxima leitura!

Este livro me ajudou a tirar um pouco a visão que eu mesma tinha de que para ter uma vida pessoal a mulher precisaria sacrificar a carreira e vice-versa (que feminista eu, não é mesmo?!).

O maior aprendizado desta leitura me ajuda até hoje como líder de diferentes mulheres: não importa se você é dona de casa ou não, se opta pela maternidade ou não, se é casada ou solteira… sua vida, suas escolhas.

Um exemplo prático do que aprendi neste livro: você não precisa fazer tudo que outras mulheres fazem para ser uma mulher empoderada. Se você optou pela maternidade em detrimento da carreira, tudo bem. Eu te respeito. Se você optou pela maternidade junto com a carreira, eu te respeito da mesma forma. Se optou por não ter filhos, te respeito igualmente.

Vamos falar de sororidade

Foi bom eu ter encerrado o tópico anterior com este exemplo, pois não tem como ser feminista sem conhecer outro conceito que caminha lado a lado com ele: a sororidade.

so·ro·ri·da·de
(larim soror, -oris, irmã + -dade)
substantivo feminino
1. Relação de união, de afeição ou de amizade entre mulheres, semelhante à que idealmente haveria entre irmãs.
2. União de mulheres com o mesmo fim, geralmente de cariz feminista.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

… ou seja, sororidade diz respeito à união entre as mulheres, partindo sempre do respeito, companheirismo e empatia umas com as outras. Vale dizer que vai muito além de ter amigas mulheres. O foco aqui está no respeito e a forma como encaramos outras mulheres e como nos unimos com um propósito em comum: fortalecer “o movimento”.

Se você puder dar a outra mulher sempre o benefício da dúvida e adotar uma postura de “ficar do lado” dela, você estará praticando sororidade.

Infelizmente somos bombardeadas diariamente por uma cultura que reforça a competição entre as mulheres, as “inimigas”, as “recalcadas”, as “invejosas”… e onde foram parar as unidas, as irmãs, as manas?!

Temos que resgatar a irmandade entre as mulheres, pois unidas somos fortes demais!

Sororidade no dia a dia do trabalho

Você até pode pensar “ah, mas isso se aplica a qualquer colega de trabalho… quando trabalha-se junto alcança-se mais resultados”. Sim, isso é verdadeiro. Mas é verdadeiro também que em ambientes de trabalho, assim como na vida, o machismo pode enfraquecer as relações, principalmente de poder, entre as mulheres e das mulheres para com os homens. Por isso a sororidade se faz importante no ambiente de trabalho.

Quer um exemplo? Quantas vezes você já viu uma mulher sendo julgada por uma roupa no trabalho? Sororidade é não entrar no julgamento. É não contribuir em algo que necessariamente prejudica outra mulher. E vai além, é contribuir para o oposto: enquanto julgam uma mulher pela roupa, tente defendê-la publicamente!

Vale dizer que você, mulher que está me lendo, pode ter o privilégio de nunca ter sido vítima de uma situação dessas, mas se você age tendo em mente o princípio da sororidade você ficará incomodada com isso.

Além disso, se estiver em uma situação dessas novamente, seja como protagonista ou espectadora, pensará duas vezes antes de julgar a sua colega e provavelmente a defenderá.

Quando você não julga ou “tagueia” outras mulheres pela forma de se vestir, pelo seu peso, você ajuda a propagar a sororidade. Seja esta pessoa!

Seja uma mulher que levanta outras mulheres, que ajuda, que mentora, que ouve, que incentiva: isso fortalecerá não apenas sua experiência de vida, tornando-a uma mulher melhor, mas fará um impacto enorme na vida de outras mulheres, que poderão repetir isto e formar um ciclo maravilhoso de impacto positivo e empoderamento feminino!

Autoestima e liderança feminina

Amiga, se você chegou até aqui neste texto eu espero que você já esteja convencida de que você pode! Se ainda não… Você conhece a síndrome do impostor? Tudo bem, eu te entendo (mesmo!) e quero te ajudar a enfrentá-la.

Dá uma olhada neste texto da Bruna se quiser saber mais, mas, basicamente, quando você sente que suas conquistas foram fruto apenas da sorte, considera-se uma fraude que será descoberta e tem dificuldade em receber elogios e reconhecer seus próprios méritos, você pode estar sendo vítima da síndrome do impostor!

Infelizmente não estou livre dela (minha mentora e minha coach já me ajudaram a sair de crises terríveis dessa síndrome), mas aprendi a entender as causas e lidar com ela de forma mais assertiva.

“A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos.” — Chimamanda Adichie

Lembre-se desta citação sempre que se achar menos competente pelo simples motivo de ser mulher. Muitas vezes vão sim diminuir seu trabalho por isso, não faça “coro” com eles.

Seja a primeira pessoa a se valorizar.

Anote suas conquistas. Quando achar que não vai dar conta de algum desafio, volte nestas anotações e lembre-se do tanto de luta que você já venceu e pense que esta pedra no seu caminho vai ser só mais um degrau para sua trajetória de sucesso.

Converse com outras mulheres que já passaram por situações parecidas com a que você está vivendo (repetindo esta questão da parceria, da sororidade e da mentoria feminina mesmo, porque acho importantíssimo ter “para quem correr”).

Propague a ideia

Se você já é líder, seja mentora de colegas mais inexperientes. Ter um direcionamento de outra mulher a ajudará a não diminuir seus sentimentos e usar as habilidades dela a favor do crescimento profissional dela e da empresa.

Tenha uma abordagem empática, preferindo falar “eu sei o que você está passando, mas não se preocupe, vou te ajudar a resolver este problema como eu resolvi”.

Dê feedbacks honestos para suas colegas, pois isso é cortesia profissional. Lembre-se de ser gentil e nunca partir do pressuposto de que a sua colega fez algo ruim de propósito.

Não seja uma ditadora de regras, parta sempre de um ponto “vamos juntas” e esteja sempre aberta ao aprendizado.

Elogie. Sim, pode parecer uma coisa boba, mas um elogio vindo de outra mulher será um ponto importante e decisivo para fazer mais mulheres agirem com sororidade. Deixe claro para as mulheres que você admira o que elas têm que as fazem “foda”!

Não acredite nem caia na pilha de que existe “competição feminina”. Fique feliz (genuinamente) pelas vitórias das suas colegas!

Pra fechar, só um recado…

Se meu feminismo te incomoda, fica aí a resposta de por que eu tenho que ser feminista ;)