Um pontinho sem vida.

Sou um pontinho. Simplesmente um pontinho no canto da sua alma. Não vou incomodar, sou tão pequenino, né?

Você se distrai um pouco e cresci mais um pouco. O que um pontinho do tamanho de uma ervilha pode fazer mal a alguém?

Então, tá tudo bem.

Aquele ranger na porta começa a te incomodar, mas tá tudo bem. E aquela reunião da semana que vem, parece nunca chegar, mas tá tudo bem. Você tenta relaxar por que eu só sou um pontinho no tamanho de uma maçã.

Talvez, você esteja me alimentando demais, aquela sua reunião já está deixando você um pouco mais agitada e ela não é tão importante assim.

Agora, tô até grandinho, o seu priminho poderia brincar de futebol comigo. Só de pensar em pegar o ônibus para visitar a sua velha amiga te deixa tensa e você se pergunta: Será que chegarei a tempo? Será que o ônibus não estará cheio demais? Tudo bem, quem não faria essas perguntas simples? Não tem nada de diferente com você, não é?

Olha só, aquela sua calça super skinny está folgada em você, não se esqueça de colocar o cinto antes de sair, querida. Não consigo entender o por quê das suas mãos tremerem tanto.

Quer saber a verdade? Já me sinto tão em casa dentro de você que já posso colocar os pés em cima do sofá e jogar minhas tralhas pelo chão da sala. Posso ligar o som de madrugada para você não dormir e essas suas olheiras só vão aumentar. Bom, eu não ligo para você, ligo para o futuro talvez. Ele parece ser mais interessante.

Vou me apresentar mais uma vez. Eu sou pontinho presente na alma que vai roubar todo o seu espaço e te deixar só o canto do seu quarto para se balançar e você não pode fazer nada a respeito.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.