Professores dilacerados: quem, verdadeiramente, se importa com eles?
O governo, a escola, o aluno, a sociedade? Sei.

Circulam, pelas redes sociais e pelos sites de notícias, o relato e a foto de uma professora de Santa Catarina que foi, vergonhosamente, agredida por um aluno após encaminhá-lo para coordenação por um comportamento inadequado em sala de aula. De meia idade, a professora foi registrada com o rosto cheio de sangue. “Dilacerada” — é como ela se define. É como a categoria se sente. É como o país se encontra após tanto descaso com profissionais da área de educação.
Assim como esse aluno (que não cabe aqui identificar), milhares de governos espancam, diariamente, professores com seus salários atrasados e/ou de fome, com suas péssimas condições de trabalho, com seus policiais fardados em manifestações por melhorias para docência. Milhares de famílias batem em professores, diariamente, quando mandam para escola crianças não educadas, não conscientes do que é proposto em ambiente escolar, quando pressionam para aprovação independente do conteúdo, quando silenciam sua voz, “porque pagam o salário” — quando expõem ridicularizações em aplicativos e sites sem chances de diálogo. Milhares de colégios crescem no lombo dos professores quando deixam de assinar suas carteiras, quando pagam abaixo do piso, quando superlotam de tarefas em massa a serem desenvolvidas em tempo recorde, quando não garantem seus direitos futuros. Milhares de pessoas agridem professores com seu silêncio, sua negligência e sua falta de apoio nas escolas e nas ruas.
O que aconteceu, esta semana, foi um novo absurdo (de tantos outros, diariamente, já registrados), foi o que a população sempre soube e nada fez (e nada quis fazer), foi a dor explícita diante de tanta razão acumulada, foi a agressão profissional, pessoal, moral, social de alguém.
Um novo alguém dilacerado.
Professores não querem apoio virtual, não querem compaixão, nem uma bonita visão da profissão. Querem governo E população assumindo a responsabilidade sobre a educação também, sobre a possibilidade de formação continuada do professor, sobre a saúde física e a saúde mental da categoria, sobre o salário digno e justo.
Não interessaria quem estivesse contra nós se a população — definitivamente — nos apoiasse de verdade além de seus discursos clichês e de suas reclamações cotidianas. Todos fazem parte desse ciclo.
Não se iludam, essa briga não deveria ser só nossa.
