
…ue podia seguir adiante sozinha enquanto me sentia minimamente satisfeita. Foi quando ela me disse: a gente também precisa de ajuda para lidar com a felicidade, não é fácil estar feliz. E de fato não é. Agora, sentada aqui, com um sol lindo entrando pela janela, eu posso dizer que não é fácil mesmo estar feliz, se sentir incompleta e satisfeita. A noção de felicidade como algo último, que irá chegar completa, nos confunde e não nos permite desfrutar essas horinhas de descanso. Não sabemos lidar com a nossa felicidade, não sabemos lidar com a felicidade do outra, mas seguimos sendo felizes e nos abraçando, meio desengonçadas, na lama, no caos, um pouco perdidas, não sabendo existir, mas sabendo que aquela sensação é o corpo resistindo e sobrevivendo aos poucos, um pouquinho mais a cada dia.
…ue podia seguir adiante sozinha enquanto me sentia minimamente satisfeita. Foi quando ela me disse: a gente também precisa de ajuda para lidar com a felicidade, não é fácil estar feliz. E de fato não é. Agora, sentada aqui, com um sol lindo entrando pela janela, eu posso dizer que não é fácil mesmo estar feliz, se sentir incompleta e satisfeita. A noção de felicidade como algo último, que irá chegar completa, nos confunde e não nos permite desfrutar essas horinhas de descanso. Não sabemos lidar com a nossa felicidade, não sabemos lidar com a felicidade do outra, mas seguimos sendo felizes e nos abraçando, meio desengonçadas, na lama, no caos, um pouco perdidas, não sabendo existir, mas sabendo que aquela sensação é o corpo resistindo e sobrevivendo aos poucos, um pouquinho mais a cada dia.
A busca pela felicidade plena, em um estado perfeito, imaginário, sem quebras, faz com que as pequenas felicidades e diversões se percam ao longo da vida. Ao invés de aproveitar uma enorme cama de hotel pensando em tudo o que aconteceu de maravilhoso em 2017, eu estava com uma voz de defunto pensando nos problemas do país e nos meus próprios problemas. É um crime se atrever estar feliz em meio ao caos e às dores. Ao mesmo tempo, esse é um crime que praticamos constantemente em cada roda de samba, em cada jantar de Natal constrangedoramente feliz e problemático. Somos feitos inteiramente de contradições e, ainda assim, não nos permitimos entrar em contato com elas. Como eu podia estar me divertindo? Quem me autorizaria a isso a não ser eu mesma?