A resignação é a qualidade humana que caracteriza a última barreira de transposição para a vida adulta.

Dá-se quando, em contraste com a juventude, o indivíduo se prontifica a acalentar suas angústias geradas a partir de situações não conformes ao plano original de vida . Somos máquinas de sonhos e expectativas inevitavelmente frustáveis perante o caótico ato de viver. Viver é uma eterna resignação.

Ser adulto é sonhar com responsabilidade, é completar o caminho da maturidade, entendendo que por mais incríveis que sejamos como máquinas de elevado grau de complexidade, somos igualmente limitados às circunstâncias da vida. Ser adulto é enxergar a beleza das várias camadas difusas que formam a individualidade, e aprender sobre que cores melhor preenchem cada uma delas.

Resignar-se é ser livre para criar aquarelas com a tinta da experiência acumulada, é conseguir abraçar a si, dizendo: “eu amo você, por mais cagadas que faça na vida”.

A resignação é o óleo necessário à nossa máquina de sonhos, que calibra o seu movimento e dá espaço aos novos desejos que virão.