Por nomadices e contramãos

Breves palavras e anotações: pra quem ainda não entendeu, seja-lá-o-que-foi junho de 2013 vai continuar reverberando nos nossos mares mais profundos. Evocará indomáveis maremotos.

Pois o acontecimento, no seu futuro-breve (que hoje já virou presente e passado) também virou matéria de recrudescimento. A promessa de uma porta que abria-se sendo violentamente selada. Certa organização de poderes, interesses e espaços dentro da nossa política — desde os grandes partidos e nomes até nós mesmos, nossos coletivos e grupos -, todos em xeque continuamente.

O sequestro da rua por pensamentos de direita e afins foi a primeira onda. Mas, ah, o movimento das marés é tão mais selvagem e impetuoso… já vêm outras ondas. Um reordenamento da esquerda. O cheiro putrefato de antigas esquerdas-e-direitas tomando o ambiente - o elefante branco no meio da sala. Nenhum destes atores vai desaparecer, muito menos em prol de uma “união nacional contra sei lá o quê”. Vejam as pesquisas, conheçam o outro: a descrença nesse panorama está instaurada.

Tenho pra mim que sim, é um momento de atenção, cuidado e estratégias novas. Desacostumar das tranquilidades e bonanças, voltar à guerreragem cotidiana. Buscar brechas, preencher, disseminar, partir. Precisamos de gente disposta a colocar mãos na massa. Momento esse de ler as marés, navegar por entre seus intervalos, brincar de pique-esconde com essa nova vigilância que toma nossas ruas e redes. Ativar uma presença-camaleão, saber disfarçar e também revelar. Pra além da apatia, essa sim, o golpe derradeiro. Façam suas coisas, agreguem (e me chamem também).

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