Piscina de Eu

Ando pisando em uma piscina de amido, minhas certezas já não são consistentes e flutuar perdeu a graça. Procuro o chão, quero ser telúrica e ter um cajado assegurando-me de que sou o que quero ser e se quero ser é porquê de alguma forma já sou. No entanto, me sinto arranhada, desperdiçada, vazia. Fui violada muito gentilmente. Não percebi quando me perdi. Só notei quando fui me procurar.

A medida que me procuro percebo que é difícil me encontrar enquanto tem pessoas tentando me desvirtuar de mim mesma, dizendo o que devo ou não dizer, o que devo ou não pensar, desde que seja condizente à massa da qual sou pertencente. Mas minha verdade é que antes de pertencer, eu sou, e não pertenço às coisas sem que, antes, elas me pertençam.

1/2016