Alguns motivos para o meu quase-“suicídio” acadêmico.

Tamara Coimbra
Jul 27, 2017 · 3 min read

Escolhi fazer esse texto para compartilhar com o mundo o quão miserável a criação de expectativas pode nos deixar.

Como sabem, meu nome é Tamara, tenho 25 anos, faço graduação em Relações Internacionais e mestrado em História. Eu sempre fui considerada uma “boa” aluna e sempre gostei disso, pois isso me diferenciava das outras pessoas e eu me sentia com algum lugar ao sol. Mas, isso não é exatamente verdade. Eu tento estudar e ir bem nas provas, mas, nada que seja excepcional. Esse semestre foi muito cansativo pra mim e por isso, pensei em 13 motivos, sim, me baseando na série da Netflix, que eu adorei e me impactou de forma muito profunda esse semestre, que me fazem pensar em desistir de tudo, as vezes, inclusive de mim, no entanto, não consegui formular todos os 13, da forma como eu gostaria, então vou apenas escrever sobre algumas coisas:

  1. Excesso de coisas: pode parecer exagero, mas, quando eu escolhi que queria fazer um curso de graduação e de pós, ao mesmo tempo, eu queria me sentir ocupada, mas, para fazer “tudo” da forma como eu gostaria eu teria que fazer escolhas e a gente nunca sabe ao certo o que devemos escolher; ou se estamos certos nas nossas escolhas. Por exemplo, em muitos momentos eu preferi ter uma vida social melhor do que ter um CRA alto, mas, no fundo eu gostaria de conseguir fazer os dois e me sentia uma droga por não conseguir fazer tudo o que eu queria.
  2. Diferença geracional: em relação a minha graduação, eu me sinto muito deslocada em relação aos meus colegas quanto a prioridades e objetivos de vida. A maioria das pessoas que eu convivo quase diariamente, tem na faixa de 18–21 anos. Eu me sinto velha, desanimada e o pior de tudo me sinto atrasada em relação ao que eu quero na vida e as chances de eu conseguir.
  3. Falta de interesse: ultimamente, sinto muita falta de interesse por tudo. Quando eu entrei em Relações Internacionais eu achei que, finalmente, tinha me achado na vida e como vida era feliz, agora que eu fazia o curso que eu gostava, eu tinha uma turma de verdade que eu adorava… mas, com o tempo, isso foi se mostrando mais uma falácia. Eu realmente gosto muito do curso, mas, a faculdade, como sempre, não foi nenhum American Pie, ou continuo me sentindo integrada em uma turma.
  4. Falta de empatia: está na moda todo mundo querer se fazer de empático, discutir distúrbios mentais como depressão, ansiedade e outros, mas, no fundo, as pessoas não estão abertas para os seus problemas, e usualmente, só pensam no que você pode ajudá-las, mas, quando é o contrário, seus problemas são diminuídos, já que as pessoas têm seus próprios problemas. A verdade é que ninguém é obrigado a ser empático com ninguém, mas, as vezes, isso incomoda.

Recentemente, eu conversei com a minha psicóloga que as vezes eu me sinto como a Rose, do Titanic, na cena em que ela diz que está numa sala cheia, gritando, e ninguém a escuta.

Obviamente, eu não vou abandonar nada, apenas vou dar um tempo da graduação para me focar na pós e em projetos pessoais, novamente, entra em questão de prioridades.

Mas, gostaria de desabafar sobre como as coisas são difíceis, as vezes.

PS: provavelmente, não consegui cumprir o que eu tinha planejado para escrever aqui e também deve ter vários erros no que eu escrevi, mas, enfim, vida que segue.

    Tamara Coimbra

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