Costela de Adão, piso de madeira, porta-escovas rosé gold e outras tendências de decoração que podem ou não ter tudo a ver com você

Na ânsia de estar 100% dentro das tendências, acabamos por decorar as nossas casas tudo igual. O apartamento no Nordeste do Brasil (onde faz 30 graus o ano todo) tem uma manta de PELOS (!!!) em cima da cadeira Eames e as lojinhas que vendem porta-escovas em rosé gold tão lucrando como nunca. Não dá pra culpar ninguém, é o mercado e as influencers cheia dos publi que esfregam essas coisas na nossa cara o tempo todo e, na falta de conhecimento sobre o assunto e/ ou na comodidade de comprar aquilo que se encontra mais fácil, a gente se torna vítima da decoração padrão suculentas — rosa clarinho — lightbox com frase engraçadinha.
Apesar de defender de alma & coração que a decoração deve ser um processo lento e de ter RANÇO dessa coisa de sair da Leroy com a casa toda comprada em 1 dia, não vejo isso exatamente como um problema.
Se você se identifica muito com algo que tá super na moda e na casa das blogueira, por que não trazer isso pra dentro do seu lar? A treta tá mesmo em levar só isso em consideração na hora de decorar a sua casa, permitir que apenas as tendências exerçam esse papel fundamental na escolha da sua decoração. Pra evitar isso, acho que devemos sempre lembrar do que a gente realmente gosta –colocar tudo em preto & branco sendo que você é fã de cores? Jamais! Encher a casa de plantas se você não se sente nenhum pouco a vontade com elas? Não faça isso.
Decorar é contar a si mesmo (e às visitas) a sua história. É acumular memórias devagarinho, trazendo pra dentro de casa um pouco do que se viveu lá fora; as cores e objetos precisam trazer a recordação dos melhores dias que já tivemos, como um lembrete diário de que a vida é pra ser vivida assim aos pouquinhos.

Por outro lado, essa coisa de querer ser autêntico demais pode se tornar uma chata necessidade de buscar o diferente simplesmente por ser… diferente. O que nos leva para o mesmo lugar-comum de seguir fielmente às tendências: ter a casa lotada de coisas que não tem 1% da nossa essência. É tipo sair de uma bolha e entrar em outra.
Tenho uma costela de adão em casa. Aliás, o meu apartamento é todo branco com cinza, chão de madeira clarinha, aquela coisa bem Pinterest. Temos um iMac e algumas velas espalhadas pelos moveis. Minimalista. Nórdico. Clichê dos anos 2010…? Pode ser.
No nosso gigantesco lar de 45m2 temos também shapes de skate assinados por amigos do meu namorado, temos bordados e cerâmicas feitos por mim e várias tranqueiras vintage compradas em feirinhas de Lisboa, Porto, Barcelona… Personalizado, único e original? Também.


O negócio é que, pra mim, decoração é sobre as nossas particularidades. Aqueles detalheszinhos sobre a gente que são só nossos, sabe? Nossa casa precisa refletir nossas histórias, desejos, objetivos, memórias afetivas.
Decorar tem mais a ver com se conhecer e se tratar com carinho do que comprar tudo de uma vez na Tok&Stok ou ainda levar pra dentro de casa um monte de velharia vintage que não diz nada sobre você. Decorar é promover, todos os dias, um encontro pessoal teu com o que você acredita ser uma forma original de viver em casa. Seja isso refletido em um conceito minimalista — clean — Pinterest — escandinavo ou através de muita cor e uma cadeira com pilha de roupa.
No Instagram eu mostro um pouco da minha casinha e também todos os rolês malucos e comuns da minha rotina. Segue lá: https://www.instagram.com/tamirescorreia_/