2014 a 2015: um ano produzindo arte de forma focada e eficiente Pt. 5

Tamires Para
Jan 20, 2016 · 4 min read

Leia a parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4.

Mostre sua arte por aí

Após dedicar seu tempo estudando e criando um portfólio de trabalho com qualidade consistente, é hora de mostrar esse trabalho por aí e colocá-lo na frente das pessoas corretas. Se você esteve ligado no que foi falado nessa série de texto até agora, você provavelmente já descobriu que as tais pessoas certas são as pessoas relacionadas a indústria que você quer entrar. Um bom exercício é fazer uma lista dos empregos perfeitos nas empresas que você quer trabalhar um dia e das pessoas que trabalham lá. Algumas dessas empresas possuirão um email por onde você pode enviar sua arte para avaliação; se não, tente procurar pelos diretores de arte das empresas e seus emails e telefones e entre em contato com eles. Por experiência própria, não há outra forma de fazê-lo. Quando o fizer, seja cortês, conciso, objetivo e os agradeça imensamente pelo seu tempo (costumam ser pessoas ocupadíssimas).

Outra forma relevante de compartilhar o seu trabalho é submetê-lo a anuários de arte e ilustração como Spectrum, IlluXcon e Society of Illustrators. Muitos diretores de arte e clientes em potencial lêem esses anuários então, como em seu portfólio, só submeta seu melhor trabalho. Geralmente existe uma taxa por arte submetida e, dependendo da moeda que você esteja usando, pode virar uma grana preta. Mas guarde dinheiro para tal durante o ano e, se puder, também participe das respectivas convenções. É uma ótima maneira de fazer networking e conhecer pessoas novas de interesses similares aos seus. Finalmente, também é possível submeter sua arte para revistas conhecidas. Ano passado meu trabalho foi publicado na revista Zupi e na ImagineFX e eu fiquei imensamente honrada. Particularmente eu sinto que esse tipo de coisa ajuda muito na auto-confiança e a sensação de ver sua arte digital em algo físico é indescritível.

Existem muitas vantagens em submeter seu trabalho para revistas e anuários, mas muito poucas pessoas reconhecem as desvantagens. Eu mesma só fui perceber isso depois de ler um artigo escrito pelo artista Peter Mohrbacher sobre isso. Os juízes nesse anuários, querendo ou não, estão filtrando o que é considerado “arte”. Esse é um fenômeno comum da história da arte. A melhor banca de juízes ainda irá confiar em seu gosto pessoal na hora de escolher submissões, especialmente quando o que está sendo julgado é algo tão subjetivo como arte. Então, eu diria que, se seu trabalho não for aceito em nenhum anuário ou revista, não se desespere — não quer dizer que sua arte seja ruim. Isso não existe. O que existe é arte tecnicamente imprecisa, mas nunca ruim.

Outra boa forma de mostrar sua arte por aí é fazendo tutoriais e livestreams. Pense em produzir conteúdo relevante para a audiência que você está tentando criar. Por exemplo, a artista Sakimichan focou boa parte de sua carreira em fazer fanart e vendê-la. Embora não se recomende vender esse tipo de arte, através disso ela construiu uma rede de fãs tão grande que ela é capaz de se sustentar só com isso hoje. Você não precisa trabalhar para uma empresa grande ou pequena pra “ser profissional”. Ao construir uma base de fãs, você pode fazer todo tipo de coisa: fazer uma campanha de crowdfunding para produzir algo relacionado ao mundo que você criou, como fez Dan LuVisi; produzir prints e outros materiais… a lista continua. Uma maneira de começar a aumentar a sua rede de fãs é identificar um público e compará-lo a qualquer que seja aquilo que você mais goste de fazer. É fazer retratos? Sem problema, escolha um tema que esse público que você achou curte e pronto. É pintar fantasia? Melhor ainda, reprojete um IP conhecido com a sua ótica e estética por trás. As possibilidades são infinitas.

Espero que o texto ajude vocês e eu adoraria saber a opinião de vocês nos comentários! Fiquem ligados para a parte 6!

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Tamires Para

Written by

Freelance fantasy illustrator and concept artist