Eu desejo que você mude

Sabe aquelas cartinhas que você escrevia para as suas amigas na sétima série?
Eu não sei vocês, mas a minha neurose por papel me faz guardar qualquer pedaço de coisa escrita por outro ser humano que eu já ganhei na vida. 🤦🏻♀️ eu sei, volta e meia faço uma limpa e jogo uns 20kg de papel fora. Hauahaua To trabalhando isso, fica tranquilo. O que é importante refletir sobre essa história é como as mensagens eram basicamente as mesmas:
“Amiga, te adoro! Não mude nunca esse seu jeitinho de ser” 💜
Você pode reparar pelas coisas que eu escrevo que eu tô ficando velha (e se concordar com a cabeça, vou te bater!): “sétima série” nem se fala mais, a molecada de hoje não escreve bilhetinho de papel fofo e guardar papel pra quê, se tudo que a gente precisa tá são e salvo na nuvem?
Você deve estar pensando que este artigo não tem nada a ver com nada e que com certeza eu fiquei louca e to só escrevendo um monte de coisas sem sentido.
Não desiste de mim! Lê até o final que você vai entender… A ideia é refletir sobre como as coisas mudam. As gerações, os nomes que a gente usa, os costumes, as interações sociais, a tecnologia. Tudo muda. Por que diabos você precisa se manter sempre o mesmo?
Eu sei, eu sei, a gente morre de medo da mudança. Todo mundo sofre disso, em maior ou menor proporção. Ou talvez sofra de medo do desconhecido, que é basicamente o que a mudança pode vir a ser. A gente pode até ter uma ideia do que vai acontecer, mas a realidade 99% das vezes NÃO é como a gente imaginou que seria.
Mudar é sair da famosa zona de conforto.

Eu sinto que existe uma crença limitante que paira sobre nós e embute esse medo coletivo da mudança. Frases como “em time que está ganhando não se mexe” não nasceram por acaso.
Agora pensa: qual é o sentido de ter nadado contra milhões de espermatozóides, ter se contorcido todo pra sair de um lugar extremamente confortável e quentinho e vir para esse mundo frio e cruel se não for pra gente mudar e crescer?
Por isso, querido leitor, hoje, se eu fosse escrever uma cartinha pra uma amiga, escreveria:
Eu desejo que você mude sempre!
Seja de endereço, de emprego, de atitude, de corte de cabelo, de erros, de peso, de time. Mudar é sempre abrir o coração e a mente para novas possibilidades. E se você mudou e se arrependeu? Muda de novo! E se mudou e sofreu? Continua mudando.

Muitas pessoas se impressionam comigo por eu ter sido corajosa o suficiente para terminar um noivado aos 22 anos ou passar no vestibular e começar tudo de novo aos 26. Para mudar basta isso: coragem!
É claro que uma série de fatores faz com que mudar seja mais ou menos fácil, dependendo da sua idade (mental ou física), do seu estado de espírito e da sua disponibilidade em abraçar o novo. Uma coisa é eu esperar que a minha avó de 89 anos mude um comportamento que ela teve basicamente ao longo de quase toda a vida. Outra completamente diferente é pedir que meu enteado de 7 escove os dentes todos os dias antes de dormir.
De qualquer forma, sempre há espaço para a mudança. Como o horizonte: sonhe com quem você deseja ser, batalhe, mude, melhore e o horizonte se moverá mais para frente. Não se dê por satisfeito, motive-se sempre a conquistar mais do que você já conquistou!
Aliás, tem esta frase sobre utopia que é uma das minhas frases favoritas no mundo:
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano
Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho. Melhor então estar no chão e almejar as estrelas e, se tudo der errado, acabar nas nuvens. O importante é: se você está no chão e deseja mudar, não se contente em permanecer no chão para sempre. Mude!
*Agora que você já leu o artigo todo, vou explicar porque escolhi a foto:
A Luciana foi a minha primeira amiga quando me mudei pra Niterói. Tinha acabado de chegar em uma cidade nova, em um colégio novo, não conhecia ninguém e pra tornar a experiência ainda mais assustadora (assustadora sim, eu tinha 13 anos), o primeiro dia de aula era o dia do meu aniversário. A Lu foi a primeira pessoa a falar comigo, a me acolher, a me apresentar pra turma toda.
Eu provavelmente escrevi uma cartinha pra ela com a frase “não mude esse seu jeitinho de ser”. A foto da direita da montagem foi tirada em 2016, exatamente no dia do meu aniversário, 15 anos depois da gente ter se visto pela primeira vez. É inevitável pensar que eu mudei, que ela mudou. E tudo bem. Aliás, que ótimo né? Que eu não sou mais aquela pentelha de 13 anos apaixonada por Backstreet Boys (ok, talvez eu tenha mudado só um pouco). 😂
O importante é que nos tornamos pessoas diferentes que ainda abrem espaço em suas vidas para continuarmos sendo amigas. E que bom. Ela é minha conexão com a 7ª série e com meu primeiro ano aqui em Niterói. Espero que ela saiba quão importante é pra mim. 💜 (te amo, amiga!)
Em um mundo que anda constantemente para frente, ficar parado já é sinal de retrocesso. O único aspecto permanente da Vida é a mudança. MUDE. Vai ser incrível!
