Eu desejo que você mude

Tamires Romano
Sep 9, 2018 · 5 min read
* vou explicar o motivo da foto do artigo ser esta sim, só que lá no final!

Sabe aquelas cartinhas que você escrevia para as suas amigas na sétima série?

Eu não sei vocês, mas a minha neurose por papel me faz guardar qualquer pedaço de coisa escrita por outro ser humano que eu já ganhei na vida. 🤦🏻‍♀️ eu sei, volta e meia faço uma limpa e jogo uns 20kg de papel fora. Hauahaua To trabalhando isso, fica tranquilo. O que é importante refletir sobre essa história é como as mensagens eram basicamente as mesmas:

“Amiga, te adoro! Não mude nunca esse seu jeitinho de ser” 💜

Você pode reparar pelas coisas que eu escrevo que eu tô ficando velha (e se concordar com a cabeça, vou te bater!): “sétima série” nem se fala mais, a molecada de hoje não escreve bilhetinho de papel fofo e guardar papel pra quê, se tudo que a gente precisa tá são e salvo na nuvem?

Você deve estar pensando que este artigo não tem nada a ver com nada e que com certeza eu fiquei louca e to só escrevendo um monte de coisas sem sentido.

Não desiste de mim! Lê até o final que você vai entender… A ideia é refletir sobre como as coisas mudam. As gerações, os nomes que a gente usa, os costumes, as interações sociais, a tecnologia. Tudo muda. Por que diabos você precisa se manter sempre o mesmo?

Eu sei, eu sei, a gente morre de medo da mudança. Todo mundo sofre disso, em maior ou menor proporção. Ou talvez sofra de medo do desconhecido, que é basicamente o que a mudança pode vir a ser. A gente pode até ter uma ideia do que vai acontecer, mas a realidade 99% das vezes NÃO é como a gente imaginou que seria.

Mudar é sair da famosa zona de conforto.

Eu sinto que existe uma crença limitante que paira sobre nós e embute esse medo coletivo da mudança. Frases como “em time que está ganhando não se mexe” não nasceram por acaso.

Agora pensa: qual é o sentido de ter nadado contra milhões de espermatozóides, ter se contorcido todo pra sair de um lugar extremamente confortável e quentinho e vir para esse mundo frio e cruel se não for pra gente mudar e crescer?

Por isso, querido leitor, hoje, se eu fosse escrever uma cartinha pra uma amiga, escreveria:

Eu desejo que você mude sempre!

Seja de endereço, de emprego, de atitude, de corte de cabelo, de erros, de peso, de time. Mudar é sempre abrir o coração e a mente para novas possibilidades. E se você mudou e se arrependeu? Muda de novo! E se mudou e sofreu? Continua mudando.

Muitas pessoas se impressionam comigo por eu ter sido corajosa o suficiente para terminar um noivado aos 22 anos ou passar no vestibular e começar tudo de novo aos 26. Para mudar basta isso: coragem!

É claro que uma série de fatores faz com que mudar seja mais ou menos fácil, dependendo da sua idade (mental ou física), do seu estado de espírito e da sua disponibilidade em abraçar o novo. Uma coisa é eu esperar que a minha avó de 89 anos mude um comportamento que ela teve basicamente ao longo de quase toda a vida. Outra completamente diferente é pedir que meu enteado de 7 escove os dentes todos os dias antes de dormir.

De qualquer forma, sempre há espaço para a mudança. Como o horizonte: sonhe com quem você deseja ser, batalhe, mude, melhore e o horizonte se moverá mais para frente. Não se dê por satisfeito, motive-se sempre a conquistar mais do que você já conquistou!

Aliás, tem esta frase sobre utopia que é uma das minhas frases favoritas no mundo:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano

Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho. Melhor então estar no chão e almejar as estrelas e, se tudo der errado, acabar nas nuvens. O importante é: se você está no chão e deseja mudar, não se contente em permanecer no chão para sempre. Mude!

*Agora que você já leu o artigo todo, vou explicar porque escolhi a foto:

A Luciana foi a minha primeira amiga quando me mudei pra Niterói. Tinha acabado de chegar em uma cidade nova, em um colégio novo, não conhecia ninguém e pra tornar a experiência ainda mais assustadora (assustadora sim, eu tinha 13 anos), o primeiro dia de aula era o dia do meu aniversário. A Lu foi a primeira pessoa a falar comigo, a me acolher, a me apresentar pra turma toda.

Eu provavelmente escrevi uma cartinha pra ela com a frase “não mude esse seu jeitinho de ser”. A foto da direita da montagem foi tirada em 2016, exatamente no dia do meu aniversário, 15 anos depois da gente ter se visto pela primeira vez. É inevitável pensar que eu mudei, que ela mudou. E tudo bem. Aliás, que ótimo né? Que eu não sou mais aquela pentelha de 13 anos apaixonada por Backstreet Boys (ok, talvez eu tenha mudado só um pouco). 😂

O importante é que nos tornamos pessoas diferentes que ainda abrem espaço em suas vidas para continuarmos sendo amigas. E que bom. Ela é minha conexão com a 7ª série e com meu primeiro ano aqui em Niterói. Espero que ela saiba quão importante é pra mim. 💜 (te amo, amiga!)

Em um mundo que anda constantemente para frente, ficar parado já é sinal de retrocesso. O único aspecto permanente da Vida é a mudança. MUDE. Vai ser incrível!

Tamires Romano

Written by

Escritora, eterna estudante, 31 carnavais, adora listas.

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