diálogos

Fui tomar um café com a mãe da Bruna, que não gosta de ter o nome exposto em qualquer canto desse ambiente virtual, do qual, há muito, deixou de fazer parte. Bruna tem 8 anos e, no próximo mês, fará 9. Sentada à mesa, parece ter centenas, ainda que a janelinha aberta faça a luz do sol dar as caras sempre que ela sorri.

- Amiga, nós somos muito trouxas!

Ela, questionadora que é, rebate:

- Mãe, o que é ser trouxa? 
- É quando gostamos de quem não gosta da gente, Bru. Isso é ser trouxa. 
- Ah, tá! Que estranho! Eu também sou trouxa!

Rimos:

- Por que você é trouxa, Bru? 
- Porque eu não espero as pessoas gostarem de mim pr’eu gostar delas. Eu só gosto. Por exemplo, eu não sei se a Larissa, aquela menina da minha sala, gosta de mim, mas eu acho ela super legal. Gosto dela, porque as pontas do seu cabelo são pintadas de azul. Eu devo perguntar se alguém gosta de mim, antes de gostar, mamãe?

A mãe da Bruna encheu os olhos d’água e a encheu de beijos. Não deu tempo de responder. Mas, eu respondo: não, Bru, você não deve. 
Nós é que devemos parar de atribuir tantos negativismos e condicionamentos aos nossos sentires.

- Você está longe de ser trouxa, Bru! — eu disse. 
- Então, vocês também! Parem de se xingar.

Tá certo, Bruna, tá certo. Paramos.

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