Paciência e reciprocidade

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Paciência e reciprocidade: duas coisas que os cursos de licenciatura, em sua maioria, teimam em ignorar e que fazem uma diferença danada dentro da sala de aula.

Na vida, é preciso ter paciência. Esperar o tempo certo. Não tropeçar na correria dos dias. Um passo de cada vez para chegar além. É assim quando se ensina. Cada um no seu tempo particular de aprender, carregando nas costas uma bagagem diferente de saberes. Presente para os olhos é enxergar a diversidade de algumas dezenas de pessoas dispostas a te ouvir. E é preciso paciência para alcançar todas elas. Uma a uma. Olho no olho. Compreender o que se passa naquele peito angustiado de quem não sabe ao certo se compreendeu o último conteúdo. Na sala de aula, aprendi a aguardar. Confiar na espera como prelúdio da conquista. 
Mas a paciência anda de mãos dadas com a reciprocidade. Eu já tinha claro dentro de mim que recebemos da vida o que oferecemos a ela, mas a vida é coisa abstrata. O que importa mesmo é o que oferecemos às pessoas que compõem o nosso viver. Aprendi que ao ensinarmos, recebemos em troca também aprendizado. Quando ensino, aprendo. E, diante de tamanho poder da reciprocidade, entendi: quando faço o bem, recebo o bem nas mais variadas formas.

Hoje, enquanto esperava à sombra de uma árvore, não tive pressa. Observei o jardineiro do outro lado da rua fazendo o seu trabalho. Enquanto estava ali, ele veio até mim de mãos fechadas. Chegou pertinho e despejou um punhado de sementes na palma das minhas. Disse que era coentro. Ele não sabe, mas coentro alegra o meu paladar. Com paciência, é possível ver brotar o bem dessas sementes em meio à terra úmida do vaso. Reciprocidade, para mim, tem agora cheiro de coentro e folha cortada. 
Ao jardineiro de sorriso aberto, a promessa de que boas sementes continuarão sendo espalhas pelo mundo. E, aos meus alunos de ontem e de hoje, meu agradecimento por me ensinarem tanto durante as aulas — instruindo-me, dia após dia, na importância de uma espera entre uma conquista e outra e na necessidade de dar e receber amor entre nós, seja por meio das palavras ou aquele guardado no interior de sementes de coentro.

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