Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente

você sonhou comigo duas vezes e na última me procurou

certa tarde, me disseram que todas as pessoas que passam na minha vida, um dia, voltam

eu acreditei quando reapareceu, pediu meu número novo e perguntou como anda tudo

bem, eu falei

quando eu te conheci, notei que eu podia estar com outro alguém que não aquela que me feriu

e, então, você desapareceu como sol entre florestas de eucalipto e entrou pra lista de coisas que sem explicação eu já perdi – nunca quis que fossem tantas

eu gosto de feriados porque eles me deixam descansar e você aproveitou pra deitar seu pedido de desculpa em mim

eu te perdoo, eu falei

eu transformei seu sumiço em um processo de resiliência – hoje, existem tantos

eu mudei, nós crescemos, li de você

depois de tanto tempo, percebi que fui ruim, continuou

eu não contava pessoas por ponteiros e segundos e aí, exerci minha capacidade de perdão – tão difícil – e acabei reinserido seu nome na minha agenda e rotina

eu falaria ele novamente sem o peso da fuga

em certos instantes, sentir paz é abrir mão

eu abri

eu não quis te explicar sobre responsabilidade emocional e sobre como você cotidianamente ir embora sem se esbarrar em objetos e motivos não é uma característica e, sim, uma ausência dela

eu não quis dar som às famigeradas palavras eu-tive-medo-de-virarmos-algo

a verdade é que não viramos raiz porque você se abrigou debaixo da sombra dos seus traumas passados enquanto eu abria a janela e permitia folhas secas vazarem

eu cortei os galhos e te dei a oportunidade de virar flor, mas você se assustou com a diferença entre espaços e vazios e escolheu o segundo

pode ir dormir tranquila

e se sonhar comigo outra noite, saiba que eu sigo achando sua luz bonita

ela só não ilumina mais a minha rua.

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