Everyday is like sunday

“O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrae e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados”
A vertigem, conforme descrita por Milan Kundera em “A Insustentável Leveza do Ser”, tem sido um sentimento muito recorrente nos útlimos tempos, como se eu encontrasse assossego nos braços do caos e na eterna angústia da procrastinação. Mergulhar dentro de substâncias mais fortes como se aquilo fosse a salvação da sua existência, só pra emergir do outro lado do buraco e perceber que ainda está no mesmo lugar.
Acredito que a vertigem, esse sentimento de cair e de se entregar, faça parte da experiência humana, mas também indica que não estamos escutando um sussurro que vem de dentro. Qual foi a última vez que você se perguntou do que gosta? no que acredita? o que te deixa entusiasmado? Acabamos seguindo em frente, através de uma rotina adoecedora, sem nunca conseguir parar para pensar e apreciar as coisas mais básicas, correndo e correndo, não indo realmente a parte alguma.
Quero poder me sentir confortável em meu próprio corpo, em primeiro lugar, depois conseguir estar em harmonia com o ambiente ao meu redor, sem precisar buscar em outras fontes por uma satisfação momentânea e ilusória, pois tudo o que eu necessito é estar aqui nesse momento e existir.
Portanto, com essa ideia em mente, desarmo minha ansiedade, pois se a única coisa que existe e importa é o aqui e o agora, logo, o famoso sofrimento por antecedência não ocupa mais lugar central na minha vida, posso tranquilamente deixar minha imaginação flutuar além do umbral nebuloso e pesado que são as ruas dessa cidade, as sombras de pessoas que não estão comigo agora, as marcas de um passado que não existe mais. Flutuar e, pelo menos por um momento, acreditar que sou livre.
