Sobre palavras e dores

Gostaria de saber por onde começar, mas a verdade é que, como alguém já me disse, a vida não é como uma psicoterapia, ela simplesmente acontece e vai atropelando qualquer senso de organização que nós possamos ter. Tenho me sentido confusa, perdida e ansiosa por uma resposta. Tomei muitas decisões precipitadas nos últimos tempos e esses três últimos anos têm sido uma montanha-russa, literalmente, em questão de sentimentos, amores, atmosferas e planos de vida.
Nesse momento, sinto que o essencial é invisível aos olhos, o necessário é simplesmente me recolher e ficar em silêncio por um tempo, como após uma longa batalha, para fazer a contagem dos corpos e rever estratégias de luta, pois as últimas deixaram marcas profundas. Uma das coisas que mais gostei na vida, ficar sozinha, com a minha própria companhia, minhas tão características empatia, humor e generosidade, têm sido a coisa mais pesada e difícil de se fazer…você percebe que esteve/está mal quando não consegue mais apreciar o som da sua própria companhia. Mas, acredito que a escrita, o que eu mais aprecio fazer nessa existência, vai ser um caminho de cura (simbólica).
Eu sempre escrevi quando os tempos ficaram difíceis, e eu sobrevivi, muitas vezes, só isso mesmo, mas é o suficiente em alguns momentos, até que nós nos sintamos novamente autorizados a dar um passo pra fora da bolha que construímos pra nos proteger. A qualidade humana que mais admiro é a resiliência, é inacreditável o quanto esse bicho consegue suportar de dor, sendo a consciência da dor um fardo em si, e ainda seguir.
Quero focar em não fazer escolhas precipitadas ou criar expectativas sobre pessoas que não estão mais ao meu lado, pouco importa agora as culpas ou cenas terríveis do passado, eu preciso expurgar o peso dos pensamentos que me apertam os ombros e o pescoço, que me dobram os joelhos, e pensar que a morte pode trazer transformações e insurreições.
Tenho lido sobre mindfulness (Benjamin Foley com seu blog “Falling Inward”) e praticado yoga, e após as últimas experiências de vida, tenho mais e mais impressão de que a única coisa que importa no final é quem você é e como se relaciona com as pessoas ao seu redor. Nada mais importa, nem a casa, nem o emprego, nem a quantidade de peças de roupa diferentes pra usar na festinha. É isso que uma certa neblina ébria me impediu de enxergar e escutar, durante todo esse tempo, eu estou procurando nos lugares errados pelas coisas certas, preciso começar a buscar em mim, cair dentro.
