Quantas vidas cabem numa vida?

Hoje acordei com esta pergunta na minha cabeça… “Quantas vidas cabem numa vida?”.

Alguma vez se questionaram sobre isso? Num mundo em que cada vez mais pessoas se sentem insatisfeitas com a sua própria vida, se sentem infelizes miseráveis sem destino certo, que tanto gostariam de ter mas no fundo sabem que não precisam dele para nada… Em que se sentem consumidos pelo consumismo, desgastados pelo desgaste do dia a dia e da rotina, literalmente mortos pelo velocímetro que tem de estar sempre obrigatoriamente a 180 km/h!

Não acham que neste mundo é uma questão que deve ser colocada todos os dias quando abrimos os olhos para mais 24h de vida? Eu acredito que sim! Acredito que as questões que fazemos a nós próprios e que tantas vezes deixamos sem resposta por não termos tempo, ou na realidade, não querermos procurar a resposta devido ao medo dos nossos medos, merecem uma conclusão!

Qual o sentido de viver uma vida apenas? A sociedade está implementada de uma forma em que basicamente nos é obrigado a percorrer um ciclo, “ciclo da vida”, como dizem: nascemos, somos crianças mas pouco (temos de nos preparar para o futuro), somos adolescentes e vivemos para os amigos e em luta constante connosco próprios, somos jovens e começamos a trabalhar para organizar a nossa vida, arranjamos um companheiro e passamos a vida com ele ou ela até que a morte ou o divórcio nos separe. Depois temos filhos e trabalhamos sempre no mesmo trabalho, porque pelos vistos ninguém pode fazer coisas diferentes senão isso provoca uma confusão na cabeça dos outros (e os outros são sempre tão importantes!). E depois de educarmos os filhos e os vermos voar somos velhos, que sofrem dia após dia de dores físicas, mentais e solidão. Porquê? Porque passamos uma vida a esquecermo-nos de nós, a esquecermo-nos de viver o presente e todas as vidas que precisamos de viver para nos sentirmos bem.

Cheguei à conclusão que não quero isso para mim e que ninguém o quer… podem é ainda não saber ou ter medo de o assumir!

Se pararmos um pouco para apreciarmos o dito cujo ciclo da vida, reparamos que apesar de discretas, houve imensas saídas de emergência durante o ciclo. Apenas estávamos tão ocupados a pensar no futuro e na segurança do mesmo que nem olhamos para o sinal que lá estava a avisar. E se tivéssemos passado essa porta? O que tinha acontecido?

Provavelmente viveríamos todos os dias acontecimentos novos. Conheceríamos pessoas novas, lugares novos e íamos começar a perceber certamente que nós próprios mudamos de tempo a tempo, quiçá um pouco todos os dias! Se mudamos um pouco todos os dias, não faz sentido fazermos sempre o mesmo… Se a minha roupa de ontem já não me serve, então devo vestir uma roupa nova para que me possa sentir bem comigo e com a vida novamente. E cada vez que faço isto vou-me mudando a mim e tudo o que está à minha volta. E se tudo é diferente, ou existem maneiras diferentes de viver, não podemos dizer que vivemos uma vida diferente da que tínhamos anteriormente?

Então sejam sinceros com vocês próprios e digam-me, quantas vidas cabem numa vida?

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