Dia 1

You are infinite

Eu não sou de me expôr muito na internet. Na verdade, eu não sou de me expôr muito em qualquer lugar. Por algum tempo, achei que isso fosse um traço de personalidade positivo, algo que me transformasse em um personagem misterioso, que despertasse a curiosidade alheia. Hoje, eu percebo que minha falta de disponibilidade emocional sempre foi uma forma de proteção. Quem não abre a porta, não permite que ninguém entre e faça uma bagunça.

Acontece que chegou a hora de eu ser bagunçada. Porque na minha ânsia por manter tudo em ordem, eu me transformei numa acumuladora: de sonhos, de mágoas, de tristeza, de passado. Fechei todas as portas, todas as janelas, e parei de ver o futuro.

Verdade seja dita, eu tenho muito medo. Me mantive refém de mim mesma por anos, e agora estou dando o primeiro passo para fora desse cativeiro emocional que eu criei.

Eu sei que vai ser uma viagem. E tudo que eu desejo é que eu seja capaz de olhar para o passado não com raiva, mas uma ternura nostálgica. Que eu possa lembrar mais das coisas boas que das coisas ruins, e que as coisas ruins se apresentem como aprendizado, não uma forma de me deprimir. Que eu olhe para o presente com a empolgação de quem sabe que pode tudo, consegue tudo. E que o futuro me espere com os braços abertos, e não portas lacradas.

Que eu me permita, finalmente, ser maior por dentro.