É sobre isso que eu queria escrever

É o primeiro aqui.. Como primeiro, vai ser assim, ser edição, sem correções.. exatamente como saiu daqui para aí. Exatamente como a vida se apresenta.

Faz sentido pra ti?

essas são as dores é sobre isso que eu quero falar

é sobre a anestesia. é sobre uma labuta sem sentido. é sobre verdade unicas absurdas. sobre a lenda do sapo que morre sem se dar conta. sobre a hipocrisia. sobre a dicotomia. esas são as dores.

é sobre isso que eu quero falar.

tá ligado? é sobre isso que eu quero falar!

sobre a crítica. a crítica pela crítica.

é isso que dói!

é sobre isso que eu quero escrever. sempre foi sobre isso que eu quis escrever.

mas eu anestesiei. paralisia por analise. entrei no padrão. corroborei com o sistema.

e eu quero quebrar. e eu quero ouvir contracultura. Eu quero ouvir Marcelino.

é sobre isso que eu quero escrever. essa dor de cabeça é o que?

é sobre isso que eu quero escrever. tentei escrever o tragicômico. Cômico o que?

Cômico era o que eu tava fazendo.

escrever o que os letrados diziam? que nada! Foi na terra seca e forrada de dor. lá onde descansa meu preguiçoso preconceito. Lá tive inspiração, que eu acordei que perturbou. que eu perturbei.

foi atras dos letrados, foi atras do padrão e do sistema, msmo ouvindo que esse nao é necessariamente o caminho. e vc? quantas vezes foi pelo sistema, mesmo savendo que esse não era o caminho?

o que eu quero escrever. eu quero escrever tudo! mas tudo não dá! então não quero escrever nada. Nada também não dá!

parece criança quando emburra! emburra num processo criativo, livre? mas é criativo? por qual motivo? mas é criativo, não devia emburrar.

sinto dor na cabeça, sinto dor nos olhos. nos ossos da face.

sai da aula perturbada. anestesiada. encantada. catarsiada.

quem é esse sertanejo? de mãe gritada de pai manso. assume que tu não sabe quem é! assume que tu nao sabe quem tu é!

assuma que gritar faz sentido! assuma que o estômago embrulhou

pode se só virose. mas pode nao ser.

reconhece a dor de cabeça. reconhece a dor. só reconhece.

obrigada, gratidão por você existir. Pela noite de céu estrelado do seu sertão

é vontade de vomitar. de vomitar palavras que tavam trancadas aqui.

mas deixa, deixa pra lá, outro dia eu conto esse conto. um dia eu lhes conto esse conto

e hoje, só com remédio pra acalmar. remédio esse que se usa para anestesia o cidadão.

pra esconder as mazelas e assim seguir o curso.

e quanto mais eu vou na aula, mais eu enrubesco, mais eu emburesco.

é sobre isso que eu quero escrever.

não é sobre a história da carochinha. não é sobre o amor, se o amor não for dor, não é sobre um caminho feliz.

não adianta. eu quero gritar, eu tenho que cuspir.

é sobre isso que eu quero escrever!

e enquanto eu nao fizer isso, eu não vou dormir.

não é sobre o era uma vez. é sobre o é de agora.

não é sobre os dois velhinhos teimosos. não é sobre a tarde fria do outono.

era sobre isso que eu queria escrever.. foi sobre isso que eu escrevi.