A cada dia novo no calendário, a rotina trazia na sua memória, lembranças indesejadas.

Letras e números dela, estavam por todos os lados. A cada campo em branco nas telas, aquele suspiro vazio no peito, misto de angústia e saudades do que não viveu ou imaginou viver. Pensava naqueles códigos que não deveriam ser decifrados por qualquer pessoa. Desde as telas de um velho computador já em desuso, até as ofuscantes telas, de pequenos aparelhos ou nos mais modernos dos tablets. Tudo… tudo, só podia se liberado se ele, saudosa e dolorosamente, digitasse as letras e números que não mais lhe pertenciam.

A cada tempo, as lembranças ficavam mais vagas, e… tornavam mais escassas as lembranças….

Ele, teimoso a sua maneira, insistia em manter aquela mesma rotina, até enfim, perder tudo que guardava e lhe permitia seguir.

Chegou o dia em que, finalmente, se deu conta de que mudar suas senhas seria essencial para voltar a ter acesso às suas coisas, guardadas a sete chaves.

Mas agora, as chaves eram suas, não mais dos outros. Não mais dela.