Desabafinho e alívio

Hoje é aniversário da minha mãe. Mas quem ganhou o presente fui eu.

Nós temos enfrentado uma barra muito grande em família. Uma situação tão bizarra que é até difícil de explicar, e que vem abalando tudo o que a gente tinha de certo e constante. Hoje, aliás, faz também um mês que o circo começou. Foi um dia tenso, de incertezas e ansiedades.

Mas enfim. Não é exatamente disso que eu quero falar. Éda história paralela. Porque, durante tudo isso, claro, eu fiquei ainda mais sobrecarregada emocionalmente. Em cima das outras coisas: o sensorial, o social.

Sempre foi muito difícil para a minha mãe entender as barreiras que eu tenho com socialização. Ela é extremamente sociável, adora estar entre gente. Eu, não. Eu aguardo ansiosa as madrugadas de silêncio. Quando morava sozinha, nada me dava mais prazer do que ter o fim de semana só pra mim. Hoje em dia vivo cercada de gente. Então chego em casa depois de um dia todo falando com pessoas e tudo o que eu quero é ficar quieta, mas nem sempre é possível.

No entanto, nestas últimas semanas, resolvi retomar a terapia. E ela se abriu mais ao que eu tinha pra dizer com relação aos meus sofrimentos. Expliquei que não é que eu não gosto de gente, é só que demanda muito esforço e eu fico exausta. Expliquei que não é uma coisa natural pra mim, e que o que eu faço é uma cópia do que ela faz, e a socialização dela é muito intensa, com um gestual carregado, cheio de expressões faciais e piadas. Achei lindo quando ela disse:

- Mas gente! Então não faz assim!
- Mãe, você não tá entendendo. Eu não sei fazer de outro jeito.
- Caramba, aí lascou.

Hahahaha.

E daí teve festa, teve situação desconfortável, teve criança gritando. Eu sobrevivi, acho que me saí até bem. Mas ao chegar em casa ela disse:

- Vai descansar, vai. Você deve estar acabada com tanta socialização.

Foi a primeira vez que ela reconheceu a dificuldade com tom de compreensão. Não tenho nem como comentar. Só ❤.