A palavra é sagrada. 
Como orador devemos usá-las impecavelmente. 
Como ouvinte devemos absorvê-las com respeito. 
Interromper uma pessoa é bloquear a energia que ela está entregando para o mundo. 
Usar da força do tom de voz para sobrepor a fala de uma pessoa até ela se calar, é diminuir a riqueza e a beleza de um mundo diverso.

Imagine um mundo no qual as pessoas só se expressassem por meio da pintura de um quadro. Elas tinham apenas aquela tela em branco para externalizar toda a riqueza de seu interior, de suas memórias, suas vocações, suas experiências, aprendizados e dons. A escolha das cores, texturas e combinações era a entrega sagrada do íntimo de uma pessoa ao mundo.

Como seria se ao terminar o cuidadoso quadro de sua experiência, a pessoa fosse surpreendida com um estranho, que jogava uma lata de tinta em cima de sua obra, anulando tudo o que foi deixado no mundo por aquela pessoa?

Facilmente podemos sentir essa situação como um ato rude, desrespeitoso. Facilmente podemos também concluir que aquele mundo saiu perdendo a chance de ver mais uma obra de arte. Com a possibilidade de ser embelezado com mais cores e formas, por dois quadros distintos e pacificamente convivendo lado a lado, o mundo agora terá apenas uma visão de mundo, carregada pela rudez de ter uma voz sufocada abaixo de suas tintas.

Silenciar uma pessoa, seja pela interrupção de uma fala, seja desatenção no ouvir, seja por métodos coercitivos de volume e de poder, é exatamente como jogar um quadro de tinta sobre sua obra de arte.

Desejo que dia após dia, não nos falte atenção para que tenhamos delicado cuidado com o ouvir e que sejamos serenamente impecáveis com o falar.

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