Equilíbrio, força e flexibilidade

Uma das maravilhas de práticas corporais introspectivas e contemplativas, como a Yoga, é a possibilidade de absorver aprendizados sobre a vida, o caráter, a personalidade e os padrões de comportamento, por meio do templo que habitamos, o nosso corpo. Penso que os aprendizados que se dão no campo da sensação corporal são poderosos, por que driblam o domínio autoritário da razão e promovem transformações concretas e memorizadas no corpo físico.

E foi desta forma que, há pouco tempo, consegui compreender um ensinamento que meu corpo vem absorvendo sutilmente há anos: há três energias importantes tensionando nossas posturas nas situações da vida, a energia da força, a energia do equilíbrio e a energia da flexibilidade. Encontrar o ponto ótimo entre estas três pulsões é encontrar um lugar de presença ativa, confortável e sem esforço. É este lugar que devemos buscar, nos asanas e na vida.

Ainda me lembro de minhas primeiras aulas de Yoga, há anos atrás, quando me explicaram que a prática de Yoga contemplava três elementos importantes: o equilíbrio, a força e a flexibilidade. No entendimento simplista que absorvi ao receber esta mensagem, logo comecei a classificar minha habilidade nesses três requisitos (“ah, eu sou uma pessoa fraca, travada, mas tenho muito equilíbrio”). No momento entendi estas coisas como fatores absolutamente separados e frequentemente cai no lugar de querer conquistar um ou outro desses aspectos.

Com o passar do tempo, por meio da sensação corpórea, a prática do yoga foi poderosamente revelando a mim a integração desses eixos entre si. Não há força OU flexibilidade. Não há equilíbrio OU força. Há um ponto de profunda estabilidade, conforto e paz no centro de um triângulo tensionado por estas três energias. Enquanto estivermos fora desse centro, estamos desperdiçando energia e gerando esforço e resistência. Por exemplo: se você estiver inflexível, em um asana ou uma situação da vida, você precisará gerar mais força que o necessário para manter-se ali, gerando esforço. Se você estiver fraca, você precisará de mais esforço do que o necessário para manter-se em equilíbrio. Quando você se fortalece o equilíbrio e a flexibilidade naturalmente acontecem com menos esforço. Quando você se flexibiliza, o equilíbrio e a força se fazem presentes com menos resistência. Quando você se equilibra, menos energia precisa colocar para a força e a flexibilidade se expressarem.

É muito fácil nos enganarmos na auto-avaliação destas três pulsões. Por exemplo, em situações nas quais você se sente fora do eixo, vale a reflexão se a falta de equilíbrio não está brotando de uma ausência de força. Será que não está faltando o pulso firme para colocar alguns limites? Será que não está adormecida a sua força disciplinadora que protege a si mesmo?

As vezes o problema não é a força, mas a confusão entre força e rigidez. A força estrutura, dá sustento, gera movimento, é ativa e atividade, brota do interior para o exterior. A rigidez se fecha em si, estagna, brota de fora e gera sofrimento interior. Muitas vezes a falta de equilíbrio vem da falta de flexibilidade. É a flexibilidade que desarma a rigidez e permite a dança desapegada pelos fluxos da vida.

Quanto mais força e mais flexibilidade, mais natural será o equilíbrio. No ponto central entre estes três vértices do triângulo há o mínimo de esforço possível. Você ativa a musculatura levemente, alonga os tecidos, concentra em sua respiração e quando você encontra este ponto exato, ufa! É uma posição de extremo conforto, na vida e no Yoga. É um lugar de profundo encontro consigo, de introspecção, de deleite, de conexão e integração.

Importante é reconhecer que para todas as situações da vida — e asanas do Yoga — há um lugar de extremo conforto, uma postura ativa sem esforço, que encontramos quando balanceamos a força, a flexibilidade e o equilíbrio em nosso corpo e em nosso ser.

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