O garoto que colecionava ares

(imagem do Dixit)

Era uma vez um garoto que colecionava ares. Respirava fundo, assoprava em um saquinho e lá estavam guardados os ares daquele momento.

De momento em momento um novo saquinho era guardado e ficavam todos pendurados em sua cintura.

Há os que imaginam ser difícil seguir caminhando com tantos ares guardados. Mas guardar levezas tem dessas vantagens - os momentos te acompanham mas não te impedem de andar.

Quando cansado, deitava sobre os saquinhos de ar e dormia profundamente. Seu corpo não tocava o chão e flutuava com os momentos guardados.

Até que certo dia, durante um sono profundo, um vento forte e silencioso arrastou-se sorrateiro onde o garoto repousava.

Levou todos os ares guardados.

Levou também o garoto, que enquanto voava carregado pelo vento, se empolgava com a possibilidade de guardar aquele tantão de ar.

Seus braços de agitavam tentando dar conta de um saco de um tamanho que coubesse o vento. E de tanta agitação ele não percebeu que não havia mais nenhum saquinho de ar em sua cintura.

Tudo havia virado vento.

Fechou os olhos e deixou escorrer uma lágrima. Não deu nem tempo de chegar na bochecha rosada do pequeno garoto para que a lágrima também virasse vento.

E lá se foi o garoto. Sem seus momentos. Sem suas lágrimas. Apenas com o vento.

Era uma vez um garoto que colecionava ares.

Agora são os ares que colecionam o garoto.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.