O QUE VOCÊ FARIA?… Ao ver um homem fazer comentário de ódio, machistas, racistas e preconceituosos para um mulher negra e cega acompanhada dos seus 4 filhos entrando num ônibus? Deixava passar?

Não sei você, mas eu fervi por dentro e explodi por fora. Rolou um fight entre eu e esse cara que nunca vi na vida, assim como a mulher vítima de preconceituoso. Foi fight verbal! Mas foi treta! Vamos aos fatos.

Eu estava tranquilona na fila no ponto final da linha na Tijuca para pegar o busão 629. Sempre há mais de uma fila. Daí, um cara começa a ficar incomodadíssimo com uma presença: uma mulher, negra, gorda, cega, aparentemente mãe de 4 crias, que com o auxílio de um deles, um adolescente de uns 12 anos, foi subir no busão. Ela foi na direção da porta dianteira junto com o menino, tudo certo, nada demais. Mas, outras duas crianças e uma adolescente foram para a porta traseira para entrar na camaradagem. Na real, a camaradagem era para a adolescente porque as crianças não pagariam passagem mesmo. Eis que o senhor não se aguentou: primeiro, começou a falar com o cara na fila que eles estariam furando fila (não estavam!). Depois, o incômodo do cara se voltou para o fato dessa mulher ter supostamente 4 filhos!!!! o.O

Ele olhava pra frente, olhava pra trás, olhava pra frente e pra trás incomodadíssimo com as crianças aguardando os passageiros entrarem, sentarem para só então elas entrarem no busão. Daí, ele começou a tecer comentário do tipo: “Não tem TV. Isso porque é cega e faz filho tipo fábrica. Como pode uma mulher dessa ter tanto filho. Não pensa. Só quer fazer sexo. Deve ser insaciável. Depois fica assim vivendo de migalhas as custas do governo blá blá blá”. A condição da mulher ter 4 filhos, ou seja, ser negra, gorda e cega, mas ter uma vida banal como qualquer um de nós, ou seja, trepar, reproduzir, viver e andar com a família na rua, mas principalmente trepar, parecia ser a questão ali do incômodo do senhorzinho de uns 50 anos. Ele falava tanta coisa relacionada a isso que eu não aguentei migues!!! Quando ele me olhou meio de lado em tom querendo aprovação para seus comentários, tipo com um “não é?” atravessando no olhar querendo que eu concordasse com seus comentário, eu simplesmente me vi falando em tom bem alto (gritando quase):

-Mano, qual é teu problema com o sexo alheio? Ela fez sexo com o senhor por um acaso alguma vez? Está preocupado de ser o pai de uma das crianças?Por que você está incomodado com a quantidade de filhos que não são da sua responsabilidade? É inveja é? Com a potência do marido ou namorado dela? Rolou recalque? Ou tá interessado nela? Por que essa preocupação com o fato de uma mulher mesmo cega ter sim vida sexual?

O homem ficou cereja. Falou que eu era louca. Que ela vivia do dinheiro dele por conta dos impostos pagos ao governo que vivia sustentá-la. Que ela podia fazer sexo a vontade desde que não desse custo social. O.o

Com a voz mais alta ainda eu só respondi: 
- ~Ah é….verdade! Porque pobre, negro e deficiente físico, já nasce cheio de privilégios na vida…com pensãozinha do governo né? Ganha logo uns caraminguas ….Tanto é que o desgraçado já sai do ventre da mãe e grita: — uhuuuuuuu sou privilegiado! Não enxergo nada, mas e daí? Eu vou ter bolsinha do governo….Viver sem enxergar nada e ainda ser pobre é ótimo, um privilégio e tanto na vida…. ~ DEIXA DE SER RIDÍCULO E PRECONCEITUOSO!!!!

-OUTRA COISA: ELA TÁ ENTRANDO PELA FRENTE E VAI ENTRAR QUANTAS VEZES QUISER E O ACOMPANHANTE DELA TAMBÉM PORQUE ELA TEM ESSE DIREITO TÁ!

-OUTRA COISA, A EMPRESA DE ÔNIBUS NÃO É SUA, DEIXA AS CRIANÇAS EM PAZ, ELAS NÃO TIRARAM O DIREITO DE NINGUÉM ENTRANDO PELA PORTA TRASEIRA. TERCEIRO, VAI CUIDAR DA SUA VIDA E VAI RESOLVER ESSE PROBLEMA AI AO INVÉS DE TOMAR CONTA DA CAMA E DA QUANTIDADE DOS FILHOS DOS OUTROS. E POR FIM, PARA DE TUMULTUAR E ENCHER O SACO DOS OUTROS NA FILA E DESTILAR ÓDIO EM CIMA DE UMA MÃE DE FAMÍLIA, AINDA CEGA, SEU COVARDE!

O motorista do ônibus riu. O tal do homem parou de falar e ficou vermelho. A senhora cega que subia no ônibus virou pra trás e me agradeceu. UMA LÁGRIMA DESCEU NUM DOS OLHOS. Pediu para o filho dela me entregar um terço. Falei que não precisava, ela insistiu. O filho dela disse que eu era maneira. E a fila inteira do ônibus riu e aplaudiu.

E eu achei que exagerei, mas deu pane, confesso! Ao ver tanta covardia e comentários de ódio e preconceito diante de uma senhora cega que estava ali com sua família só pegando um ônibus, deu erupção, explodi.