QUASE impossível!

Oi! Meu nome é Tatiane Chen Marques Santos, ou Tati, eu tenho 24 anos e sou de São José dos Campos, São Paulo. Eu sou uma aspirante à farmacêutica pela Universidade Federal de Alfenas, em Alfenas, Minas Gerais.

Eu sou filha de uma mãe taiwanesa e de um pai negro e neto de índio. Meu pai era alcóolatra e minha mãe uma simples dona de casa. Como ele era quem provia com o dinheiro, era de se esperar que nós tivéssemos que nos submeter, mas a história não foi bem assim. Minha mãe foi uma luz tão forte que eu fico pensando se ela é desse mesmo mundinho que a gente: ela nunca baixou a cabeça para nada que ela achasse que fosse prejudicar eu e meus irmãos, ela batia o pé sem o mínimo de medo de que talvez meu pai se cansasse e nós ficássemos sem nada. Minha mãe queria ser astronauta, ela é desse jeito, desbravadora, incansável, curiosa, ela me ensinou a nunca desistir dos meus sonhos por ninguém. Mas o mais importante de tudo, foi que ela me ensinou a ter compaixão. Ela se negava a aguentar a bebedeira mas ao mesmo tempo ela nunca o mandou embora, ela o colocou em casas de reabilitação pelo menos cinco vezes, que eu me lembre! E quando não dava certo, ela respirava fundo e tentava de novo, com todo o amor do mundo. E acreditem se quiser, meu pai ficou sóbrio em 2014! Quase vinte anos de luta e ela venceu! Hoje, eu sou a mulher que eu sou por causa dela. Eu sou ambiciosa, desbravadora, incansável, curiosa e sou questionadora de tudo, sou uma pessoa que não desisto e não me abalo, eu sou apaixonada em resolver situações que parecem ser impossíveis, eu quero fazer o diferente e eu vejo o diferente. Isso me incentivou a procurar um objetivo na minha vida. Eu acredito que tudo que nós fazemos não tem objetivo se não for para ajudar alguém. Eu quero ser lembrada como alguém que pega uma situação ruim e a transforma em algo diferente: não que eu seja assim otimista, eu só não sou conformista!

As pessoas dizem que eu falo demais, e eu não posso negar nem um pouco. Eu acredito que senso de humor seja a minha característica mais marcante, é a que eu sou conhecida. Mas eu também sou a teimosa e a rabugenta às sete da manhã. Amo todos os animais da face da Terra (tenho dois cachorros e um mini coelho) e amo fazer coisas que eu nunca fiz antes. Um dos meus hobbies é jogar vídeo game, o que me fez me apaixonar por tecnologia e gadgets e me fez ter um pensamento lógico e de resolução de problemas que não são nada ruins! Aliás, foi o que me ensinou a falar inglês, acredita? Fui envelhecendo e tendo novos hobbies, como jogar vôlei ou ficar pesquisando sobre teorias de conspiração, mas até hoje, eu ainda escolho jogar vídeo game.

Eu já tive tantas conquistas na minha vida… por exemplo, na terceira série eu ganhei uma medalha de ouro em xadrez (tudo bem que a criança que ia competir a final comigo não apareceu, mas não importa) e ganhei também uma medalha de ouro na natação. Com treze, uma amiga minha me convenceu a sacrificar minhas férias para participar de um programa chamado “voluntário de férias”. Achei que eu ia sofrer sem meu vídeo game e sem meus irmãos comigo, mas sem sombra de dúvida, essa foi uma das experiências mais gratificantes que eu já tive. Eu era muito nova e não tinha ideia de nada sobre nada, então participar de uma ação social em comunidades carentes durante um mês foi esclarecedor, moldou quem eu sou hoje e me deu a certeza do que eu quero ser. Esse com certeza foi um marco na minha história.

Tive a oportunidade de morar e estudar em Dublin, Irlanda, durante um ano, incluindo um mega estágio com uma pesquisadora de referência na área que eu trabalhei, em síntese química. Nós por meio de softwares, desenhávamos protótipos de moléculas que potencialmente tem capacidade de combater células cancerígenas e depois, as sintetizava no laboratório. Claro que voltando para o Brasil, nós tivemos que nos ajustar com o que temos disponível aqui, mas isso não me desmotivou em nada, na verdade o desafio me motivou como nunca. Com a ajuda de alguns colegas, fizemos uma apresentação de um projeto que queríamos iniciar na nossa universidade: se tratava da síntese orgânica de moléculas com potencial Leishmanicida, ou seja, que possa combater a Leishmaniose. A maioria das pessoas não sabem mas esse é o quadro de milhares aqui dentro do Brasil mesmo. Esse projeto recebeu o primeiro lugar na área de Tecnologia e Inovação na chamada interna da universidade e foi financiado pela FAPEMIG e pela CAPES.

Eu sou movida por desafios e pela minha vontade de conhecer o mundo. Eu escolhi o programa de Trainee da Johnson & Johnson porque é a empresa que eu me identifico. Hoje sou estagiária em Pesquisa e Desenvolvimento, ajudando a desenvolver projetos para pessoas. Faço parte do time de Raw Material Center, um time global, onde tive a oportunidade de ser líder das minhas escolhas e de aprender o que é um trabalho em equipe e o quão importante é ter pessoas diferentes dentro dele. Aprendi a liderar projetos regionais, que envolveram Argentina, Colômbia e Brasil, com muita eficiência e muitos resultados. Sou líder, sou conexão, sou molde, sou entrega e sou o Credo. Não me vejo em outro lugar se não for desenhando minha estrada na Johnson e no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, um lugar tão rico em conhecimento que é impossível conhecer tudo. Quer dizer, quase impossível. Não faria nada de diferente na minha vida, talvez no máximo eu seria menos rebelde sem causa nos meus quinze anos, mas aí não teria graça nenhuma, não é?

Eu quero ser Trainee, eu quero ser líder da minha carreira.