Eu já não sei mais me apaixonar

Beijos sem arrepios. Mãos frouxas. Abraços que não se demoram. Bocas que não fazem questão de um pouco mais. Tenho pensado muito se a culpa é minha. Se tenho me tornado uma pessoa exigente demais, se pulei algum passo. Alguma etapa. E por isso o resultado final não deu certo. Talvez tenha esquecido o fermento, o olho no olho, perguntas mais intimas e então o amor não cresceu.

Continuei tentando. Uma. Duas. Três vezes. O problema sou eu? Quatro. Cinco. Mais um adeus. Seis. Sete. Tô meio de saco cheio desse vai e vem. Oito. Já faz alguns meses. Acordei sozinha, conversei com o papel, rolei meus contatos, chamei alguns, ninguém acordado. Imagino um futuro com alguém sem rosto, nome e cheiro. Nove. Dessa vez não foi, quem sabe na próxima. Quem sabe o problema seja mesmo eu.

Dez.

Agora saíram deixando saudade, lembranças que com o passar dos dias se borram, se destroem sozinhas. Até pensei que dessa vez tinha feito tudo certo, mas já deveria ter aprendido: amor não tem receita.

Se apaixonar precisa ser natural, sem passo a passo, cada casal no seu tempo, cada amor do seu jeito. Onze. Mesmo quando deixei rolar o sentimento não veio. Já não lembro como é dormir sorrindo e esperar ansiosa pelo próximo toque dos lábios como se o fim de semana fosse demorar para chegar. Esqueci o que é a paz de ser amado e amar também. O abalo das estruturas e de todo meu ser.

Me esqueci por ai tentando encontrar o que faltava em mim. Agora sou muitas. E mesmo estando bem sozinha, lá no fundo tá faltando um pedacinho meu. Um pedaço que é seu. De você que eu não conheço. Ainda te procuro.

Doze.

Mesmo que mil amores sem sabor me aguardem. Mesmo que meu coração se recuse a amar outros mil, alguma hora num dia qualquer ele vai errar a batida sem querer com o seu sorriso. E eu vou saber que você chegou. Então vou aprender a me apaixonar de novo mesmo sem ter ideia de como agir, mesmo que minhas pernas não me obedeçam mais e sentir mais uma vez o que a mil amores atrás eu não sentia.

Foto: @bethparnaby