Apesar de hoje, seguirei acreditando

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tinha tantos assuntos para falar (a visita que fiz a Parelheiros no fim de semana, a polêmica com Bel Pesce), mas hoje é um dia no qual devo me curvar aos fatos.

A presidente Dilma falou hoje para a história. Concordo com a Helena Chagas, do Blog Os Divergentes, quando diz que foi o melhor discurso da vida de Dilma.

“Alternou afirmações emocionais e trechos sobre a tortura com duras críticas às forças que apoiaram o impeachment e ao novo governo. Falou muitas vezes em golpe e em ruptura da democracia. Chegou às lágrimas em alguns momentos, mas não caiu no choro que passaria fraqueza e vitimização. Passa à história num raro ato de coragem, política e pessoal”.

Até mesmo Jader Barbalho admitiu isso para o mesmo blog. “A Dilma teve uma atitude muito digna de vir aqui enfrentar a situação pessoalmente. Não ganhará votos no Senado com seu depoimento. Mas falou para a história. Era o que ela podia fazer, e o fez bem”.

No entanto há algumas ressalvas necessárias a fazer.

Dilma tem chances praticamente nulas de manter o mandato para o qual foi democraticamente eleita. Ela recuou na sua proposta de realização de um plebiscito mencionado na carta que ela havia elaborado aos brasileiros.

O Blog do Fernando Rodrigues registra também que senadores ligados à petista continuam oferecendo cargos em uma espécie de “fisiologismo esclarecido”. Oi? Turma, não aprenderam a lição?

Cito aqui outro Blog, o Sakamoto, que coloca uma análise interessante. Ele teme que este processo torne o Brasil um país mais violento e autoritário. “O parlamento deveria ser o centro da vida política do país e não um estábulo de interesses pessoais. Mas a roda-viva da terra arrasada agora gira por conta própria”.

Concordo com o Sakamoto na luta pela democracia. Na defesa dos ambientes democráticos, pois somente por meio deles é possível garantir que diferenças sejam reconhecidas e que as minorias sejam ouvidas.

Mas eu vou permanecer acreditando. Sou uma otimista incorrigível, que acredita no Brasil. Apesar de lamentar muito todo o processo do impeachment, agradeço por ter visto a história sendo escrita e por termos a possibilidade de seguir fazendo e discutindo política de forma aberta no Brasil.

Tenho visto, claro, uma sociedade dividida e sei que há a possibilidade de que esse processo se agrave em função do impeachment. Mas eu olho a História a partir de uma perspectiva de longo prazo, e por isso creio que sairemos melhores dessa.

E para terminar espero que o governo Temer siga o prognóstico de Barbalho: “Temer vai ter que decidir se vai atrapalhar seu governo com a sua base parlamentar, ou se vai governar para a história. Se fará o que o país precisa que seja feito, independentemente de barganhas e pressões. O novo governo terá de 90 a 120 dias de armistício, depois disso saberemos como ficarão as coisas”.

  • Publicado originalmente em tatianeconceicaovergueiro.blogspot.com