Por que devemos comunicar?

Tenho refletido muito sobre o propósito da comunicação. Várias vezes eu parei para pensar de que forma a comunicação poderia contribuir para a melhoria de pessoas (ou de organizações) e o porquê de comunicarmos.
Decidi voltar às origens. O termo comunicação vem do latim communicatio. A partir dele é possível identificar três elementos: a raiz munis (estar encarregado de), o prefixo co — que dá a ideia de “atividade realizada conjuntamente” — completada pela terminação tio, a qual reforça a noção de atividade (segundo a definição do professor Luiz Martino no livro Teorias da Comunicação: Conceitos, Escolas e Tendências).
Martino também coloca que o termo “comunicação” refere-se ao processo de compartilhar um mesmo objeto de consciência (a palavra exprime a relação entre consciências).
Tudo começa quando pensamos: este artigo que está sendo lido agora, um vídeo, uma conversa de esquina. Nada como lembrar da famosa frase de Descartes, “penso, logo existo”. A partir da ideia formamos a consciência do mundo. No entanto, a consciência é efêmera, frágil. Por isso é importante a troca, o intercâmbio, o compartilhamento.
Destaco outro ponto do artigo do professor: “É, pois, no contraste cultural e no impulso de superar as diferenças que a comunicação se torna visível e supera os entorpecimentos das relações comunitárias. Nós somente nos damos conta do nosso idioma quando entramos em contato com o de outros [grifo meu]”.
Ou seja, no momento em que a nossa consciência é colocada em contato com outras ampliamos nossa visão de mundo.
Posso dar o meu testemunho. Iniciei um diário na infância. Até hoje, escrevo diariamente e busco reler meus pensamentos. É neste momento que descubro soluções para problemas até então inexplorados, celebro as conquistas, revisito o passado e reflito sobre o futuro a partir de uma nova perspectiva.
A partir desta experiência pessoal, acredito que todas as pessoas e organizações deveriam fazer o mesmo: considerar a comunicação uma ferramenta para o autoconhecimento e como forma estratégica de melhorar a sua presença na sociedade.