Nossa droga de cada dia…

Dependência… talvez, para você, essa palavra remeta diretamente às drogas, cigarros, remédios, enfim, tudo o que é químico. O que você talvez não saiba é que essa palavra pode ser melhor analisada e redefinida como: “aquilo que faz minha dor passar momentaneamente”.

Na minha vida a dependência nunca foi algo que necessitava de um canal, como é o caso dos dependentes químicos. Para mim, a dependência é algo emocional, ela faz com que eu sinta diariamente a perda de um pedaço do meu coração, da minha alma, da minha sanidade. Para quem lê, isso é coisa de gente louca, mas para quem sofre ou já sofreu de dependência, certamente irá entender o que tento dizer.

Tenho dependência daquilo que me dá conforto, do que me dá segurança, do que me entende e, principalmente, do que está disposto a fazer parte da minha vida. Medo, insegurança, perda, tudo isso é uma receita prescrita em doses homeopáticas dadas desde meu nascimento que, culminaram, na dependência emocional, na dependência do ser e não do ter.

O material nunca foi algo que me fez falta, agora, o etéreo, sim. Por isso, me ligo tanto às pessoas, às vivências, a momentos específicos e, principalmente, ao passado. O que nos dá mais conforto do que o passado? É incrível como nos lembramos exatamente das coisas que queremos lembrar. Porque não nos lembramos do dia em que seu ex lhe agrediu? Ou, então, do dia em que suas amigas lhe fizeram passar vergonha na frente da sala inteira? Ou, pior, do dia em que sua mãe diz, em uma briga, que você é um acidente?

Não, quem tem dependência emocional lembra apenas do que acha que é bom, dentre tantos momentos ruins essa pessoa ficará apegada ao único momento bom. Ela irá se segurar — com todas as forças — a uma única sensação de que foi só uma vez, que não se repetirá, e que a pessoa gosta de você.

Somos ignorados, ridicularizados, usurpados e, na maioria das vezes, usados em prol da saciedade de nossa própria dependência. Uma pessoa, um relacionamento, uma amizade, tudo isso pode ser uma droga tão potente quanto a metanfetamina porém, com carta branca de legalização. Afinal, é ok você ser um dependente emocional, é mais um “mimimi” que você criou e que não quer largar. Todos os dependentes precisam de uma reabilitação, de paciência e suporte, sendo assim, o emocional também.

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