Cuidar de si é resistir

Trabalho do artista Rimon Guimarães (Créditos: Reprodução/Tumblr)

Entender o que significa ser negra é um caminho bonito, de autoconhecimento. Para ser menos sintética, é um encontro com informações desprezadas pela História , algo como “aê, agora vou conhecer melhor meus antepassados”.

Há também os momentos de dificuldade, mas esses não se relacionam ao conhecimento que nos foi negado, mas sim ao racismo e as heranças da escravidão. São eles que dificultam esse abraçaço, na tentativa, vã, de nos relegar à submissão, de nos negar a emancipação.

Entre aprendizados e discussões com amigas, contribuições recíprocas em um coletivo, vi que faltava algo nesse roteiro. A experiência e as confissões compartilhadas me davam (e dão) o maravilhoso sentimento de pertencimento, mas… era (e é) sempre preciso ler.

Decidi, então, nessa terça de Carnaval, começar pela bell hooks. Ela é americana, escreve sobre feminismo, mulheres negras e também adora Arte (quem sabe, vamos passear nos museumm, né? rs).

O trecho abaixo, para explicar, foi retirado do texto “Alisando Nossos Cabelos”.

Em uma cultura de dominação e antiintimidade, devemos lutar diariamente por permanecer em contato com nos mesmos e com os nossos corpos, uns com os outros. Especialmente as mulheres negras e os homens negros, já que são nossos corpos os que freqüentemente são desmerecidos, menosprezados, humilhados e mutilados em uma ideologia que aliena. Celebrando os nossos corpos, participamos de uma luta libertadora que libera a mente e o coração.

Por que ele me chamou atenção? Porque denuncia algo que é muitas vezes naturalizado, que é o descaso com o corpo negro. A falta de carinho cotidiano com as nossas madeixas, nossa pele.

Na hora do “caralhooo, que mundo racista”, às vezes, esse mau trato parece fazer sentido, porque dá uma vontade danada de deixar o você, ele, qualquer pessoa para lá.

Mas não sei, não acho que esse seja o caminho. Com ou sem sombrinha na tempestade, acho que cuidar de si é resistir. Se negar a ser mau tratada(o) é resistir.

E, por fim, sejamos críticos, não é porque eles (o deus racista e seus seguidores) disseram que nosso corpo não é bonito que a gente não vai acreditar. A mesma coisa com o cabelo, a boca, o nariz e a nossa pele.

PS: ser crítico aqui não se relaciona a negligenciar um sistema de opressão, mas sim, em não nos deixá-lo dominar.

The End.

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