Sobre amizades que se apagam

Esse fade out que a vida dá e que a gente não sabe bem explicar

Foto por Adrien Leguay

Eu não sei em que momento começou. Tudo parecia ir muito bem, nos falávamos todos os dias, juras de amor eterno. Noites viradas em conversas sobre tudo e sobre nada, cervejas e cervejas, choros e risadas.

Até que as mensagens foram rareando. Em vez de se falar o dia inteiro, do “bom dia” ao “boa noite”, passamos a nos falar só uma vez por dia. Logo era um check-up semanal e olhe lá.

Tinha assunto, ainda. Tinham séries, tinham filmes, tinham coisas no dia-a-dia que eu pensava que precisava abrir a inbox e contar correndo. Mas parte de mim queria muito correr atrás, e outra parte pensava “Mas só eu vou correr atrás? Só eu me importo?” e desistia.

Logo eu mando algo, e se passam dias antes de uma resposta. Logo, eu não corro mais pra você quando quero contar algo incrível que me aconteceu. Faz falta? Faz.

A verdade é que faz falta pra caramba.

Mas a verdade é que não tem solução.

Você desistiu, né?

É muito triste, o fim silencioso de uma amizade. Não existem motivos concretos. Nada aconteceu. Ela simplesmente vai se apagando. Como um eco.

Às vezes, sim. Algo aconteceu. Aquilo não encerrou a amizade, mas desgastou. E o desgaste somado a algo mais – algumas vezes a distância, outras a rotina atribulada – dá aquele empurrãozinho da morte e faz com que ela acabe.

Quando eu lembro de você, eu espero que esteja tudo bem por aí. Que outras pessoas te façam rir, te abracem quando você precisa de colo.

Amizades também acabam, e nem tem direito a pote de sorvete.

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