I took a trip, it set me free. Forgave myself for being me

Madonna é Madonna só porque tem dinheiro: essa falácia

Voltando aqui para falar várias coisas, e depois, quem sabe, ir embora sem dizer nada.

Talvez você pense, "bom, Madonna com 60 anos e tá lá, se reinventando e criando coisas novas" e pense "eu também posso". Ela tem mais dinheiro que a gente, fato. Mas nós também podemos dar os nossos pulos, voando mais leves por conta dos bolsos vazios.

Bicho, eu ando transtornada de maneira pouco saudável com esse feat. dela com o Maluma, ainda mais depois da apresentação de ontem na premiação da Billboard. Que poder é esse?

"about last night" — kkkkkk aquelas

Madonna, eu te desejo tudo de bom, saiba, caso você esteja lendo isso. Deus te conserve, embora o mundo em geral não te mereça.

E nesse ponto você começa a ver que não é sobre a Madonna, mas sobre a gente mesmo. No limiar de completar 35 anos de idade, me dou conta de que comecei esse Medium no limiar de completar os meus 32 anos de idade — e aí penso, o que estou fazendo além de deixar pegadas digitais por todos os cantos? Está na hora de assumir alguns marcos e fixar permanência em alguns lugares. Por enquanto. Até tudo mudar de novo.

Mas calma, esse não é um post sobre eu escrevendo um post.

Outra coisa que tem me deixado meio nervosa é a série Chambers. Tem na Netflix. Estou no sétimo episódio e não aguento mais ver gente cortando a própria carne assim à sangue frio com uma faquinha de pão. O clima todo é meio assim Stephen King, uma coisa meio obscura sem razão, o que também me deixa triggered, mas por motivos diferentes.

"E eu quero é que esse canto torto feito faca corte a carne de vocês", teriam dito os produtores de Chambers

É que eu estava falando com o meu terapeuta sobre como acabei de publicar meu décimo livro (Compre "desaparecer", já disponível na Amazon em formato digital e um preço RIDÍCULO) e como eu nunca mais quero escrever livros. E então ele disse "Por quê?", mas não apenas perguntando “Por quê?”, mas sim usando outras palavras mais misteriosas e murmúrios angustiantes e eu respondi, bom, é porque…

Honestamente, já estou cansada de escrever sempre a mesma história, eu vejo agora, no fundo todas as histórias são as mesmas histórias: as dos livros, as dos contos, dos blogs, das redes sociais, etc.

Da sua vida, ele disse, e eu falei que eu estava em um ponto da minha vida em que não podia chorar agora. Rimos (não), mas o ponto é que eu pensei (e disse): todas as histórias que eu escrevo são as mesmas histórias, o que aponta que ou eu sou uma péssima escritora, ou eu tenho um estilo muito forte, como o do Stephen King, que escreve sempre a mesma história há anos. Aí meu terapeuta riu mesmo e me deixou nessa incógnita, se eu sou um lixo ou o Stephen King.

Veja, se os dois extremos são esses, é quase como se eles fossem a mesma coisa e não houvesse diferença, afinal. Não que King seja ruim, pelo amor de Deus, mas o que diferencia o bom do ruim senão o nosso olhar sobre ele?

Pense nisso.

Mas isso aí também não é um problema, você vai vivendo e descobrindo coisas sobre si mesmo, aprendendo a conviver com elas e, em um último passo, maior e mais intenso, se apropriando delas e gostando delas ao entender que elas são quem você é. No limiar dos 35, olhando para todas essas pegadas que deixei em blogs, livros, redes sociais que já não são mais o que eram, vou fazendo o que posso e gostando cada vez mais de quem eu sou. E isso é ótimo.

E nisso faz todo o sentido, Madonna no palco roçando no Maluma como se não houvesse nada com o que se preocupar além de express yourself (a atitude, não a música) e você pensando: bicho, é isso. Essa mulher venceu. Eu vou vencer também. Ao meu modo, repetindo histórias, sendo eu mesma, rindo porque estou em um ponto da minha vida em que não posso chorar. Mas vou.

Avisa essa porra aqui que eu voltei.