Sobre fazer 32 anos

Esses dias eu vi um stand up do Hannibal Buress onde ele falava sobre como era estranho fazer 32 anos. Ele falava algo assim:

Chegar aos 30 anos é um marco. Você está deixando a juventude dos vinte anos, tem algo para comemorar. Você dá uma grande festa, todos comemoram contigo. Chegar aos 31 é um pouco menos impactante, mas ainda tem alguma importância. Você pode fazer graça dizendo que tem tantos anos quanto tem os dias do mês. Você pode fazer essa piada e todos vão rir. Mas fazer 32 anos? O que isso significa? Isso não é nada. Você fala: “vou dar uma festa”. Que caralho de festa? São 32 anos, o que existe para comemorar? Vá jantar com a sua esposa e depois dormir, é isso que você merece. São só 32 anos.”

Que é exatamente como me sinto. Faço 32 anos mês que vem e tenho pensado bastante sobre isso. É uma data estranha. Quer dizer, você já é adulto com 32 anos, mas no cenário atual – com todas as facilidades de ser quem não se é e a artificialidade da internet – você pode ser jovem pra sempre. Até o ano passado eu queria desesperadamente ser jovem. Esse ano eu cai na real e cansei um pouco.

Hoje em dia eu gosto mais do modelo “jovem senhora”. Gosto de ficar em casa com o meu marido e meus gatos. Ainda gosto muito de boy band e música pop, é verdade. Isso é a minha ruína. Todo o resto, eu acredito, se encaminha para uma personalidade elegante. Poucos amigos. Reações discretas. Poucas palavras. Também preciso adequar melhor meu guarda-roupa, que ainda guarda vestígios da minha juventude passada com seus bonés de aba reta e camisetas Adidas.

Eu sei que parece, mas não é sobre mudar o seu jeito. É mais sobre se acalmar quanto a ele. Desde a adolescência, tudo em nós é desespero de autoafirmação. Você precisa criar uma persona é prova-la por meio dos seus gostos e preferências. Existe essa urgência.

Aos 32, essa urgência não existe mais. Eu sou isso aqui que você está vendo e não vou mudar. Não por que tenho uma personalidade muito forte que não abre concessões. É mais por preguiça mesmo. Cansaço. E o fato de já saber de cor como as coisas são.

Exatamente por isso também, não haverá festa. Agora, um jantarzinho só eu e o meu marido e depois ir dormir? Eu adoraria.