É você…

Cheguei já era noite. Sentei no carro, a gente se olhou, sorriu com a boca e com os olhos e você pegou o celular.

Acessou o Spotify, colocou essa música e saímos pra estrada.

“É você que tem os olhos tão gigantes e a boca tão gostosa…”

Nossas conversas de meses, de anos… eu ali do seu lado depois de tanto tempo e essa frase que me acertou como um soco no estômago me fazendo lembrar que uns dias antes quem proferiu a pancada foi você, de forma singela, me dizendo que meus olhos te paralizavam.

Eu cantava com você, nós dois sorrindo, deixando que todos os sons cortassem a noite junto do vento. Eu vim de longe pra te ver. Por todo tempo que apenas a internet fez a gente se comunicar. Deu tanta saudade. E a gente deu as mãos enquanto cantava. A noite parecia só nossa.

“Não tem medo não, eu sei vai dar errado, a gente fica longe e volta a namorar depois…”

Não sabia o que esperar, e se desse errado tudo bem, longe já estávamos e namorar era apenas um estado de espírito recorrente entre nós.

“Eu tô com uma vontade danada de te entregar todos os beijos que eu não te dei”

Nesse momento nossos olhos se cruzaram. O beijo ainda não tinha acontecido, mas era um dos muitos motivos pelos quais eu saí de longe pra te ver. A gente não via a hora.

Já haviamos cantado essa música tantas vezes tão longe um do outro que estar do seu lado fazendo isso depois de tudo parecia surreal.

Escrevo, inclusive, porque quero gravar essa memória pra sempre. A cidade iluminada que eu nunca havia estado, você querendo me apresentar tudo sem eu saber nada, me perguntando tantas coisas daquele jeito afobado que eu adoro e eu cantando pra você com os cabelos revirados pelo vento das janelas abertas.

E a música que pareceu durar pra sempre. Um infinito em seis minutos.

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