Hoje tua mensagem não chegou

Todo dia pela manhã eu recebia um bom dia teu religiosamente as 8:30. Sempre ríamos da sua pontualidade inglesa para as mensagens — e só para elas.

Até que naquela quinta-feira cinzenta de maio meu celular não vibrou às 8:30. Eu estava passando maquiagem já meio atrasada e não dei bola. Olhei novamente e já eram 8:45. Achei estranho.

“Deve ter perdido a hora” — pensei enquanto saia de casa.

Como o bom dia sempre era por sua conta, como prometemos, esperei.

Esperei.

Esperei até que ele vibrou. Às 10:23.

Não era você.

A mensagem tinha como remetente Patrícia, sua irmã, e dizia, objetivamente:

“Fabrício sofreu um acidente e está a caminho do hospital. Não sabemos como ele está.”

Encarei o celular, incrédula, por 10 minutos, na esperança da próxima mensagem avisar que tudo era uma pegadinha. Não era.

Peguei minhas coisas e saí do escritório sem dizer uma palavra. Achei que derreteria se disesse. Ou talvez ficasse histérica.

A caminho do hospital liguei insistentemente no seu número — desligado, obviamente.

Enquanto ligava lá pela décima terceira vez, senti como se meu corpo perdesse todo peso. Minha mente parou de pensar por 10 segundos. Chorei.

Nesse momento, me disseram depois, foi quando você se foi.

E desde então, todo dia às 8:30 eu paro e te dou bom dia, geralmente bem baixinho, mas há aqueles dias que grito pra você me ouvir ou coloco uma música que você adorava. Só nunca mais te deixei sem nossos bom dias.

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