Do que tu não me diz
Abriu os olhos e pensou no sorriso (entortado pela vodka) da noite passada. Terceira vez que se viam. Sentiu um certo tipo de alívio por estar em casa, na sua cama, sob os lençóis de sempre e sem ninguém ao lado.
O olhar que acompanhou o sorriso passou pelo seu pensamento. Afastou-o levantando da cama.
Abriu a geladeira, coçou a perna, fechou a geladeira. Estava pensando no porque do terceiro encontro.
“Merda, esqueci do suco”
Sentou-se no sofá, ligou a tv e escolheu um dos canais infantis com desenhos animados nostálgicos. Apesar de olhar o que estava passando, na verdade seus olhos viam outra coisa. Viam os braços, o jeito de dançar e a proposta indecente de comerem macarronada às 4 da manhã.
De fato, àquela hora do dia, ao repensar o encontro, pouco se lembrava do que havia sido dito. Talvez porque o mais importante não foi posto em palavras. Lembrava-se mais dos gestos e dos olhares do que de qualquer frase que fosse.
Talvez acordou pensando no sorriso porque sabia, no fundo, que o olhar que o acompanhara ao sair do táxi queria mesmo dizer que era a última vez que dançariam, beberiam, ririam e pouco falariam juntos.
Talvez você não tenha percebido mas este conto não possui gênero. Este foi meu desafio do dia para exercitar meus dons artísticos. Tem algum desafio pra me propor? Deixa um reply e não esqueça de recomendar se curtiu a ideia.