Quando eu descobri que te amava

Foto: Daniel Merle

Letícia passava apressada por uma rua da Lapa quando reparou num muro pixado com a frase “Você se lembra o exato momento em que se apaixonou?”. Na pressa, registrou a imagem do muro na memória e seguiu para o ponto de ônibus. 
Nesse momento pensou em Gustavo e sorriu. O 786–10 chegou e, ainda apressada, esqueceu-se do muro, do Gustavo e do sorriso.


Já estava quase em casa quando, tomada pelo tédio da mente vazia agora sem a pressa comum dos compromissos, lembrou-se de sopetão da frase no muro. As palavras exato momento saltaram à vista e ela novamente pensou em Gustavo e sorriu; dessa vez, lembrou-se de tudo.

Enquanto seguia por uma rua larga de casas e comércios, lembrou-se de quando ele a pediu em namoro, na escada do prédio ao final de um dia de verão. Não foi ali que ela se apaixonou.

Claro, sempre foi meio óbvio que se gostavam, que davam muito certo juntos, mas não foi no primeiro beijo que ela se apaixonou. Não foi nem em sua primeira noite juntos.

Letícia se lembrava bem do momento em que se apaixonou por Gustavo. Estavam no metrô e ela fez um comentário ácido sobre outro cara que deixaria qualquer um com um pé atrás, mas, ao contrário disso, Gustavo apenas soltou uma gargalhada gostosa, a abraçou e disse “Essa é a minha menina”, olhando-a com aqueles os olhos brilhantes. Foi ali.

Mal sabia ele que foi neste exato momento que ela soube que estava apaixonada. Mas ela sabia, inclusive tinha certeza. Por isso chegou em casa e escreveu um conto de amor para contar sobre uma pergunta que viu num muro.

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