dos clichês

desde a mudança de cidade (ou talvez desde bem antes), eu não tenho me cuidado.

a casa tem vindo em primeiro lugar. organizar, limpar, cuidar.

a casa tinha que estar impecável porque agora o lar que meu filho tem só é possível devido a mim. 100% minha responsabilidade.

e claro que eu precisava dar um lar incrivelmente perfeito pra ele.

(outro dia eu falo sobre isso de “perfeito”.)

e daí as costas começaram a doer. e eu já vi esse filme, já sei como ele termina (comigo chorando de dor em alguma maca).

corri pra massagista e depois da sessão lembrei que precisava ir ao ginecologista. e que o cabelo precisava de um corte. e que eu ando comendo mal, dormindo mal, bebendo pouca água, não me depilava há meses. etc etc.

e aí eu entendi que o lar que eu dou pro meu filho não tá numa casa impecável e digna de álbum no pinterest. o lar que eu dou a ele tá no meu exemplo.

eu cuido tanto dos exemplos verbais em casa. meditamos juntos, brincamos juntos. falamos de sentimentos, dançamos na sala às gargalhadas, mas eu estava esquecendo do essencial: eu sou a base disso tudo.

se a base colapsa, o resto cai junto.

é óbvio e é clichê o lance de que primeiro a gente tem que colocar a máscara de oxigênio em nós mesmos, mas não é menos verdade por isso.

se eu não respiro, meu lar não respira.

e entender isso, realmente compreender (às vezes eu entendo as coisas intelectualmente mas demooooora pra cair a famosa ficha), me deu leveza e conforto. se eu cuidar de mim, o que está ao meu redor será cuidado.

já é a segunda vez que eu tenho um texto no rascunho e o Gustavo Tanaka publica o dele antes e com a mesma temática. eu curto isso :)

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