não roubar
o terceiro preceito do yoga (falei do primeiro aqui e do segundo aqui) é asteya, não roubar.
indo para além do óbvio, que é não pegar algo que não te pertence, chegamos a aspectos mais sutis.
não roubar é não fazer uso indevido de qualquer coisa e não nos apropriar do que não nos tenha sido dado.
é não pegar para nós o segredo que alguém nos contou. nem sua história, nem sua dor, nem sua conquista.
é não pegar para nós o tempo de uma pessoa. não colocamos sobre essa pessoa sentimentos e cargas que são nossas. não usamos seu tempo por pura carência. não mentimos para conquistar seu tempo.
se alguém nos dá algo, seja sua confiança, seu colo, sua história, sua paciência, nós usamos isso com o propósito ao qual nos foi dado e pelo tempo que nos foi dado.
é um preceito que parece simples logo de cara, pois “imagina, eu não roubo!”, mas parando para pensar nesses aspectos emocionais, aí complica.
quantas vezes eu contei a um terceiro uma história que foi contada a mim?
quantas vezes eu projetei minha carência em outra pessoa e roubei seu tempo e sua atenção? quantas vezes eu menti para conseguir isso?
dá pra fazer uma lista imensa de perguntas que levam a esse roubo de que asteya fala, e só conseguimos sair desse comportamento observando o que falamos. nossas palavras são verdadeiras ou estou tentando conseguir algo através delas?
com mergulhos dentro de nós mesmos conseguimos desprogramar esses condicionamentos. mas há que querer.