Hannah Gadsby e o conceito de “homens bons”

Tradução desta matéria.

“Adivinhem: todos os homens acreditam que são bons.”, diz Hannah Gadsby em um discurso tipicamente poderoso e incômodo na festa de gala Women in Entertainment de 2018 do The Hollywood Reporter.

“Para mim, é incrivelmente irritante ver homens bons falando de homens maus, e os homens bons têm feito muito isso ultimamente.”

A australiana, que é comediante e estrela do incrível e altamente popular standup Nanette está ficando mais conhecida por ser a melhor atração onde quer que esteja: ela é a melhor parte da Tasmânia, as fotos esporádicas de seus cachorros no Twitter são as melhores coisas no site e agora ela acabou com os homens na festa de gala Women in Entertainment.

Ela está irritada com a maneira como “homens bons” falam de “homens maus”, e com como esse é o assunto do momento que eles estão tomando pra si.

“Eu quero falar do problema que eu vejo com os homens bons, em especial os homens bons que decidem falar sobre homens maus. Para mim, é incrivelmente irritante ver homens bons falando de homens maus, e os homens bons têm feito muito isso ultimamente.”

Eita. Os homens com quem ela se irrita são os Pedros.

“Eu estou cansada de ligar a TV no fim do meu dia e ver às vezes até 12 Pedros dando sua opinião. Não me entenda mal, não tem nada de errado com Pedros, Paulos e com os outros Pedros, homens bons, homens ótimos. Alguns dos meus melhores amigos são Pedros. Mas a última coisa de que eu preciso neste momento da história é ouvir um monólogo sobre misoginia e como outros homens precisam parar de ser “nojentos”, como se esse fosse o problema.”

(…)

Ela explica que os homens não deveriam ter o poder de decidir quem é bom e quem é mau e a linha que os separa. Ela explica que somente “mulheres deveriam estar no controle de posicionar essa linha, sem dúvidas”.

“Meu problema é que quando homens bons falam de homens maus, eles sempre ignoram essa linha traçada na areia — a linha na areia que sempre é traçada quando homens bons falam de homens maus. ‘Eu sou um homem bom. Aqui está a linha. Do outro lado estão os homens maus.’ Os Pedros e os homens bons não falam dessa linha, mas precisamos falar dessa linha. Vamos chamá-la de Kevin. E nunca mais vamos chamá-la assim. Precisamos falar de como os homens conseguem traçar uma linha diferente para cada ocasião. Eles têm uma linha para o vestiário; uma linha para quando suas esposas, mães, filhas e irmãs estão olhando; outra pra quando estão bêbados; outra de não-divulgação; uma linha para amigos e uma para inimigos.”

“Você sabe por que precisamos falar dessa linha entre os homens bons e os homens maus? Porque são apenas homens bons que traçam essa linha. E adivinhem? Todos os homens acreditam serem bons. Precisamos falar disso porque adivinhem o que acontece quando somente homens bons têm o poder de traçar essa linha? Este mundo — um mundo cheio de homens bons que fazem coisas muito ruins e ainda acreditam do fundo do seu coração que são homens bons porque não cruzaram a linha, porque eles movem a linha em seu próprio benefício.”