O evangelho de Jesus Cristo

Por ironia do destino o evangelho do último domingo, 31º Domingo do Tempo Comum, teve a passagem mais socialista impossível: “Dou a metade dos meus bens aos pobres e restituo quatro vezes o que roubei!” Lc 19, 8

Zaqueu que era um publicano, que cobrava impostos, não era muito bem visto, pois muitos desses aceitavam suborno dos ricos diminuindo as taxas deles e sobrecarregando os pobres. Zaqueu era visto como pecador mas foi acolhido por Jesus. Jesus acolhe os que não eram acolhidos. O Reino é para todas as pessoas. Ninguém pode ser excluído ou excluída. A opção de Jesus é clara, seu apelo também: não é possível continuar apoiando um sistema que marginaliza e exclui tanta gente. (1)

Como disse um amigo, tem muita gente que é de esquerda, eles só não sabem se expressar.

Semana passada ao mesmo tempo que a Arquidiocese do Rio de Janeiro, representando a Igreja Católica, reafirma que é um organismo apartidário, por conta de seus valores morais se posicionou contrária a um candidato que no seu programa político suas propostas tinham como principal objetivo a redução da desigualdade social, um RJ mais justo para todos, com custos reduzidos, um projeto para governar COM o povo, sem fundamentalismos, sem intolerância religiosa, e nada fez em relação aos líderes religiosos mais conservadores que declararam abertamente em seus perfis no Facebook voto a Marcelo Crivella, deixando bem claro quem esta apoiava, fingindo assim uma “neutralidade política”.

Não existe neutralidade política, todo ato e produto humano é político. Nós fazemos política o tempo todo, política é participação social em grupos, em organizações, em pastorais. E principalmente falando de espiritualidade, religião e política andam lado a lado. As eleições não se reduzem a um ato político e a espiritualidade ao mundo religioso. Foi por muitos anos, por não termos essa clara relação entre o compromisso ético da fé e a dimensão espiritual da política, que na Índia, as religiões deram aparência espiritual ao sistema social de castas. Na África do Sul, os cristãos protestantes justificaram o apartheid, e no mundo inteiro católicos e evangélicos legitimaram o Colonialismo. (2)

Precisamos praticar o que Jesus pregava nos evangelhos, e não fazer política em nome de Deus. “Como exemplificam os Atos dos Apóstolos e as cartas de Paulo, ser cristão é se empenhar para que todos tenham acesso aos bens necessários a uma vida digna (“entre eles não havia necessitados”) e ser capaz de ver no outro, ainda que ele seja seu inimigo, a face de Deus (“amai os vossos inimigos”).” (3) Precisamos investir nas Comunidades Eclesiais de Base, fazer política de base.

A luta só começou.

Referências Bibliográficas:

(1) http://www.pj.org.br/blog/descer-encontrar-jesus-e-se-deixar-acolher/

(2) http://reju.org.br/blog/eleicoes-e-espiritualidade/

(3) http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12020%3A2016-09-19-23-53-01&catid=17%3Afrei-betto&Itemid=55