Comecei esse texto em 2011,

E ainda não consegui um final digno pra ele. E isso simplesmente porque nunca conseguia — e nunca vou conseguir — descrever exatamente como foi tudo o que vivemos. A minha necessidade de te esquecer foi tanta que não tenho nada seu, hoje, que faça parte de mim.

Um toque, um sorriso ou até mesmo uma brincadeira boba que voltava a memória me fazia correr e escrever como se eu estivesse vivendo tudo de novo. E pra cada palavra que escrevo sobre nossa história consigo achar umas cinco pra apagar. Mas ela foi mesmo sempre assim, ao contrário, e até hoje não consigo achar o fim de tudo o que conquistamos juntos, ou do que eu pensei que tínhamos conquistado.

Talvez tenha sido o seu sorriso, ou o jeito que você pediu o guarda-chuva emprestado, mas algo aquele dia me encantou.

Você mostrava que tudo sempre estava ao seu controle e tinha mania de ser certo em todos os momentos. Mas você era o certo, o certo pra mim. E eu demorei tanto pra lhe dizer isso não é mesmo? Ou até não tenha dito, não sei, as coisas sempre foram tão confusas também. Mas você me encantou, e por alguns momentos me fez acreditar no amor novamente.

Você chegou tentando me proteger dos meus próprios medos sem nem conhecê-los direito, e virou meu super-herói sem capa, e sem poderes, em apenas uma tarde de chuva sem fim.

Até hoje me perco em meus próprios pensamentos e me torturo por saber que o erro foi meu. Eu que esperei demais e tive medo demais.

A chuva foi sempre o nosso forte não é? A primeira vez que nos encontramos, a primeira vez que nos abraçamos, a primeira vez que você brincou comigo e tentou me fazer rir. E lembro exatamente da sensação de ter os seu braços ao meu redor enquanto eu tentava dormir, e lembro também de como seus olhos brilharam aquele dia quando me olhou, provavelmente esperando um sim silêncioso para um beijo que não aconteceu. Por minha culpa, minha culpa e dos meus malditos medos de novo.

Seus braços me largaram, seus olhos perderam o brilho e o resto foi se perdendo com o tempo. Nossas discussões chegaram e a vontade de proteger também, mesmo quando nenhum dos dois tinha direito de fazer algo parecido, e as coisas foram se complicando. Parou de chover, algumas verdades apareceram… algo se perdeu? Juro que até hoje eu tento entender.

Você se foi, levando consigo algumas muitas lágrimas e deixando pra trás alguém que ainda sente, que ainda chora, que ainda ama mesmo dizendo não amar. E cada palavra, cada sentimento que existe é inteiramente por sua culpa, é por você. E mesmo sabendo que isso nunca vai chegar ao seu conhecimento, me contento em saber que consegui botar pra fora o que tanto escondi de mim mesma na esperança que um dia algo mudasse. Porque talvez um dia isso mude, ou talvez não.

Mas com tudo isso meu super-herói encontrou outra pessoa para proteger, talvez mais forte e com menos medo do que eu, e que deva ter um guarda-chuva “pra dois”. E todos os dias, depois de acordar, peço à Deus que essa situação mude e que eu consiga me livrar de tudo isso que você me faz sentir, porque eu ainda tenho medo.

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