E se…

… a hora tivesse ido um pouco mais devagar? E se parasse? O tempo pode parar? Se o manobrista tivesse ido buscar o carro um minuto mais rápido, ou se tivesse deixado pra pegar o carregador do celular que tinha caído no meu pé — depois?

O dia que perdi minha mãe continua voltando na minha mente, e são tantos ‘e se…?” que chega a ser enlouquecedor. E se eu tivesse ligado pra saber se estava tudo bem, como sempre fazia? E se eu não tivesse parado para comer, tomar um suco e um açaí? Maldito seja, eu nem gosto de açaí! Não cheguei em casa na hora certa e não consegui me despedir. Mas eu nem sabia que ela iria, estava tudo bem. Era terça-feira, e não fui direto pra casa aquele dia, depois do futebol — o mesmo futebol que nunca faltei, nem um dia sequer desde que comecei. Qualquer outro dia da semana eu estaria em casa, qualquer um. Menos aquele.

Eu já quis tanto ir com ela, onde quer que ela esteja. Já quis tanto desistir. Quero desistir, ainda. A saudade dói. Na verdade, nunca pensei que saudade machucasse. Não quero sentir mais isso. E se eu fosse também? Pelo menos a dor iria junto.

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