This charming Man ou sobre quase 29

Em pleno inferno astral, a nostalgia e algum saudosismo me toma. A gente envelhece e parece que em mesma medida a memória floresce. Há dias venho lembrando de coisas que já vivi, mas que havia esquecido, sublimado.

Perto de fazer 29, a vida começa a se tornar uma vertiginosa despedida dos vinte e da adolescência. Estranho verbalizar isso como se isso fosse um problema. Não é. Claro que não é. Pelo menos tento acreditar que não. Porém existem mudanças sutis que vão se cristalizando, reivindicando espaço, e quando a gente se dá conta, se desconhece um pouco. É esse o choque.

Tudo aconteceu ontem, mas o ontem parece tão inalcançável quanto aquelas memórias que a gente tentava retomar quando bebia além da conta. A primeira juventude neste ponto se tornou irrecuperável, o êxtase e a ruína das primeiras experiências também.

O que resta é equilíbrio e uma certa serenidade em ver que a existência é essa justaposição sem freio de acontecimentos mediada fragilmente pela nossa vontade, pelos nossos desejos.

Somos conduzidos e sorte daqueles que acham que estão em direção ao destino certo. No meu caso faço força para acreditar que sim. Não que seja impossível mudar. Mas a gente sabe que não basta só querer, neste ponto uma infinidade de variáveis passam a orbitar em torno das decisões e o que menos fazemos é ter conscientemente escolha. Desconfio que essa seja a maravilha e o terror de existir.

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