Escusas de uma ausência sem razão

Diga sua história… E o papel em branco. Poderia dizer que estava escrevendo a vida, inovando, criando fórmulas matemáticas de como viver melhor ou ler mais em pouco tempo.

Poderia dizer que estava perdida de amores em um mar sem fim, em um lugar comum em que tudo vai bem e nada é pauta pro nanquim guardado no parapeito da janela, endurecendo…

As páginas continuam em branco porque ventos constantes batem, levando as folhas já escritas.

Não sou muitas coisas.

Escritora é uma delas.

As páginas continuam em branco pois as ventanias têm sido recorrentes. A cada verdade escrita, um furacão de incertezas acomete: e, supostamente, a sanidade deve ser mantida. O que deveria fazer? Escrever e apagar, registrar e rasgar? Correr, correr, sufocar, morrer na praia depois de nadar contra marés revoltas para depois descobrir que não há morte: aquela certeza inabalável era, na verdade, a mais insana das banalidades.

Quem sou se não sei o que sou? Tabacaria, meu caro Pessoa.

Que sou se não sei quem sou? Um pequena luz a que os poetas dão o nome de esperança… Ah, Vinicius, as coisas foram perturbadas para você?

Sinto a rede de conexões para o além terra. Os poetas, sujos, indignos, atormentados devem desculpas pela ausência de sentimentos que produzam textos bons

Mas, se você sente alguma coisa, você é o sortudo já que a maioria dos nossos sentimentos estão mortos ou não estão.

Meio do mato, relva, literatura e calmaria: sonhos da pequena poeta que, com essa conexão de ideias, tenta pedir desculpas pela ausência injustificada: os sentimentos eram demais, mas eram, sobretudo, meus: não justificavam nenhum bom poema.

não há poemas ruins

mas o que saísse não seria bom

inauguro uma série de certezas na vida — e espero que elas deem certo — mas sei que logo cairão por terra.

assim como os amores

e as dores

e a vastidão de qualquer ser

em um espaço amplo e vazio

para sempre

em paz

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