Talvez nem todos precisem de um plano
Eu não tenho um plano, um planejamento para a minha vida. Eu tenho desejos, sonhos e anseios que surgem ao longo do dia.
Não me entenda mal. Eu penso muito sobre como aproveitar melhor minha vida, o que eu fiz até o momento e como eu gostaria de ser/estar daqui alguns anos. Mas acredito que a consequência desses pensamento é: como ser mais produtivo, como organizar o tempo, como fazer o dia render, como ganhar uma promoção no trabalho.
Ops, raciocínio travado há 30 minutos. Isso porque eu não fiz um rascunho antes, eu só estou escrevendo. O mesmo faço com a minha vida, eu vou vivendo.
Mas isso não te dá uma aflição danada … não saber pra onde está indo?
Muitas vezes! Mas então eu paro pra pensar em quem eu sou, como eu vejo a vida, e as coisas simplesmente são como são. Eu gosto de terminar o que eu começo: um curso, um trabalho, um livro. Mas fora isso, descobri que no fundo o que eu gosto é de aprender coisas diversas. Então no momento eu preciso terminar minha extensão em psicanálise, talvez depois queira fazer um curso de cinema, quem sabe um dia dar aula. Eu preciso decidir tudo isso agora? Será que é tão difícil aceitar que algumas pessoas simplesmente vivem um dia de cada vez.
Assim é o ser humano: imperfeito, aberto e inacabado. Fomos lançados ao mundo sem nosso consentimento e nossa existência é marcada pelas contingências da vida. Por isso muitos filósofos afirmam que a angústia é uma característica fundamental da existência humana. Quando o homem desperta para a consciência da vida, percebe que ela não tem sentido ou uma finalidade.
Heidegger escreveu que o sentido da vida é algo que precisa ser criado. Nós devemos dar uma direção a ela. Não existem verdades absolutas, não existe um critério. A nossa vida é essa abertura ao mundo. Talvez alguns consigam planejar essa direção, outros irão descobrir ao longo do caminho.